O candidato ao governo do Paraná Sergio Moro (PL) reagiu às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, na noite de quinta-feira (27). Após ser chamado de “mentiroso” pelo petista, o ex-juiz da Operação Lava Jato respondeu com uma sequência de ataques: “Transtornado. Rancoroso. Mentiroso”.
A troca de acusações ocorre em meio à campanha eleitoral e reabre um dos principais embates políticos e jurídicos da última década, a atuação de Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol nos processos da Lava Jato que levaram Lula à prisão.
Durante a sabatina conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, Lula afirmou que parte da imprensa brasileira ajudou a criar “um monstro chamado Moro, chamado Dallagnol”. O presidente disse ainda que enfrentou a prisão para provar que os dois eram “mentirosos”.
A resposta de Moro e Dallagnol
A declaração provocou reação imediata de Moro, que foi o juiz responsável pela condenação de Lula no caso do triplex do Guarujá, em 2017.
Deltan Dallagnol, candidato ao Senado pelo Paraná, também rebateu o presidente. Em manifestação nas redes sociais, o ex-procurador afirmou que não pediria desculpas por ter participado das investigações que resultaram na prisão de Lula e voltou a defender a atuação da força-tarefa da Lava Jato.
As origens do embate
O confronto entre Lula, Moro e Dallagnol tem origem nos processos conduzidos pela Operação Lava Jato. Em julho de 2017, Lula foi condenado pelo então juiz federal pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo envolvendo o apartamento triplex no Guarujá.
A condenação foi posteriormente confirmada em segunda instância, e Lula foi preso em abril de 2018 para cumprir a pena.
O cenário mudou em 2021, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações impostas ao petista pela Justiça Federal do Paraná. A Corte reconheceu que os processos não deveriam ter sido julgados em Curitiba e determinou a anulação das decisões.
No mesmo ano, o STF também declarou Sergio Moro parcial no julgamento de Lula no caso do triplex. A decisão acolheu argumentos da defesa do então ex-presidente, que apontou uma série de condutas do ex-juiz durante a condução dos processos.
Entre os episódios analisados estavam a condução coercitiva de Lula, em março de 2016, sem convocação prévia para depoimento, e a divulgação de uma conversa telefônica entre Lula e a então presidente Dilma Rousseff, cuja interceptação envolvia autoridade com foro por prerrogativa de função.
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Da prisão à reeleição
A anulação das condenações devolveu a Lula os direitos políticos, permitindo que voltasse a disputar eleições. Em 2022, o petista foi eleito presidente da República.
Agora, em 2026, a troca de acusações entre Lula, Moro e Dallagnol volta ao centro do debate eleitoral no Paraná e reforça um confronto que ultrapassou os tribunais e se transformou em uma das principais disputas políticas do país.

