A federação formada por União Brasil e Progressistas (PP), denominada União Progressista, não deve declarar apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República nas eleições de 2026.
Sem uma aliança nacional, a tendência é que os diretórios estaduais das duas legendas tenham autonomia para definir quais candidatos apoiarão em cada estado, levando em consideração as realidades políticas locais.
A decisão foi influenciada pelo desgaste na relação entre Flávio Bolsonaro e dirigentes da federação ao longo dos últimos meses, além da pressão de lideranças estaduais para que a União Progressista mantenha neutralidade na disputa pelo Palácio do Planalto.
A federação partidária reúne duas ou mais siglas, que passam a atuar conjuntamente em âmbito nacional por um período mínimo de quatro anos.
Desgastes com dirigentes
No Progressistas, o clima de insatisfação com Flávio Bolsonaro teria se intensificado após o presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PP-PI), ser alvo da Polícia Federal na investigação envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, em maio deste ano.
Segundo integrantes da sigla, Ciro esperava uma manifestação pública de apoio por parte de Flávio Bolsonaro, o que não ocorreu. Antes desse episódio, chegou a ser cogitada a possibilidade de Nogueira integrar uma eventual chapa presidencial como candidato a vice.
Outro fator que contribuiu para o distanciamento ocorreu nesta semana e envolveu o presidente do União Brasil, Antonio Rueda. O dirigente demonstrou incômodo após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), aliado político de Flávio Bolsonaro e pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro.
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Canella foi preso na quarta-feira (8), durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, após um fuzil ser encontrado no porta-malas de seu veículo. Em depoimento à Polícia Federal, ele afirmou que a arma era utilizada por um policial militar integrante de sua equipe de segurança. De acordo com a investigação, porém, o ex-prefeito não apresentou provas que comprovassem essa versão.
Integrantes da União Progressista afirmam que também esperavam uma manifestação pública de Flávio Bolsonaro em defesa de Canella, mas isso não aconteceu.
Pressão por neutralidade
Além dos episódios recentes, presidentes das duas legendas receberam, desde o início do ano, pedidos de filiados para que a federação permanecesse neutra na disputa presidencial.
O principal argumento apresentado por deputados e lideranças estaduais, especialmente do Nordeste, é que um apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro poderia prejudicar campanhas locais em estados onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém elevado apoio eleitoral.
Diante desse cenário, a estratégia adotada deve ser permitir que cada diretório estadual escolha livremente seus apoios para a eleição presidencial.
Apoio em São Paulo
Apesar da ausência de um alinhamento nacional, o Progressistas em São Paulo deve apoiar Flávio Bolsonaro.
Dirigentes da legenda avaliam que a aproximação com o senador poderá fortalecer a pré-candidatura do secretário estadual da Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), ao Senado Federal.
Na avaliação do partido, enquanto o pré-candidato do PL ao Senado em São Paulo, André do Prado, deverá contar com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), caberia a Flávio Bolsonaro concentrar esforços para impulsionar a campanha de Derrite.
Disputa pelo Senado
Nas eleições de 2026, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado Federal, o equivalente a dois terços da Casa. Cada um dos 26 estados e o Distrito Federal elegerá dois senadores para mandatos de oito anos.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostra Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (PSB) tecnicamente empatadas na disputa pelas duas vagas de São Paulo, com 18% e 16% das intenções de voto, respectivamente. Marina também aparece em empate técnico com Ricardo Salles (Novo), que registra 13%.
Na sequência aparecem André do Prado (PL), com 11% das intenções de voto, e Guilherme Derrite (PP), com 10%.
