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Vorcaro e Moraes: veja prints de conversas reveladas pela PF

O relatório da Polícia Federal que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (1º/9), reúne mensagens, contratos, registros de encontros e outros elementos que mostram contatos frequentes entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes.

O material faz parte das investigações sobre o Banco Master e passou a ter maior repercussão depois que Mendonça determinou a retirada do sigilo. As informações, porém, ainda estão inseridas em uma investigação e não representam, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal de Moraes.

Segundo a PF, as investigações apontam para um esquema que teria utilizado operações e ativos sem lastro suficiente para aumentar artificialmente o valor do Banco Master. A suspeita é de que a instituição tenha utilizado esses mecanismos para aparentar maior solidez, captar recursos de investidores e realizar operações sem garantias consideradas adequadas.

Vorcaro está preso no âmbito das investigações. A PF também apontou suspeitas de que o empresário mantinha uma estrutura destinada a monitorar e intimidar possíveis adversários, além de riscos relacionados à destruição de provas, continuidade de operações de lavagem de dinheiro e interferência nas investigações.

Conversas sobre uma possível operação da PF

Um dos pontos que mais chamaram atenção no relatório são as mensagens trocadas diretamente entre Vorcaro e Moraes.

Em 15 de novembro de 2025, o banqueiro perguntou ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Dois dias depois, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal ao tentar embarcar em um avião particular.

Foto: Reprodução

 

A prisão ocorreu durante uma operação que investigava suspeitas relacionadas à venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.

A PF incluiu as conversas no relatório por entender que elas ajudam a reconstruir a relação entre o empresário e o ministro. O conteúdo, entretanto, deverá ser analisado pelas autoridades responsáveis pela investigação para determinar se houve alguma conduta irregular.

Contratos com escritório ligado à família de Moraes

Outro ponto destacado pela investigação envolve contratos entre empresas de Vorcaro e o escritório de advocacia Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Segundo a PF, um dos contratos tinha valor aproximado de R$ 131 milhões. Um segundo acordo, de R$ 50 milhões, teria sido firmado em maio de 2025 entre a Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro, e o escritório.

Foto: Reprodução

Mensagens encontradas pela polícia mostram um advogado que trabalhava para Vorcaro discutindo formas de pagamento do segundo contrato.

Uma das propostas previa o pagamento de R$ 40 milhões por meio da transferência de cotas de duas aeronaves, um jatinho e um helicóptero. Os R$ 10 milhões restantes seriam relacionados ao reembolso de despesas provocadas pelo uso das aeronaves.

Em outra conversa, Vorcaro teria classificado o pagamento ao escritório como “o mais importante que temos”. Ao reclamar da demora, afirmou a um sócio que poderia haver problemas caso o valor não fosse quitado.

Foto: Reprodução

A existência dos contratos, por si só, não comprova irregularidade. A questão investigada é se os negócios tiveram alguma relação indevida com a atuação funcional de Moraes ou se houve conflito de interesses.

“Dívida de vida” e encontros

O relatório também registra mensagens nas quais Vorcaro agradece Moraes e afirma ter uma “dívida de vida” com o ministro.

A mensagem foi enviada em 14 de novembro de 2025, no mesmo dia em que os dois conversaram sobre um encontro na residência do empresário.

Foto: Reprodução

Segundo a PF, mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam que os dois teriam se encontrado diversas vezes entre março de 2024 e agosto de 2025, incluindo registros de logística de segurança feitos por motoristas em ao menos uma dessas ocasiões.

O relatório também cita um encontro em Campos do Jordão. Em dezembro de 2023, funcionários de Vorcaro teriam recebido instruções para preparar uma estrutura especial para convidados classificados como “ultra VIP”.

A programação incluía nove convidados, quatro seguranças, cantor, cavalos e chef particular. Nas conversas analisadas pela PF, o principal convidado aparece como “Alex”, identificação que os investigadores atribuíram a Alexandre de Moraes. Outras mensagens do material tratam de aspectos logísticos desses encontros, como o controle, por parte da equipe de Vorcaro, de fotos tiradas com o ministro durante uma das ocasiões.

Participação em fórum jurídico em Londres

Outro conjunto de mensagens envolve um fórum jurídico promovido pelo Banco Master em Londres.

Segundo o relatório, as conversas indicam que Moraes participava de discussões relacionadas à programação do evento e à lista de convidados.

Os diálogos mencionam nomes que teriam sido submetidos ao ministro, além de possíveis vetos e alterações na programação. Em uma das conversas, Vorcaro afirma que precisava “aprovar com Alexandre” a lista de convidados.

As mensagens também indicariam a participação de Viviane Barci de Moraes nas discussões.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Leia mais

O que pode acontecer com Moraes após investigação sobre o Banco Master?

Gonet pede anulação de relatório sobre Moraes e Vorcaro


 

O que acontece agora?

A retirada do sigilo permite que o conteúdo do relatório seja analisado publicamente, mas não encerra a investigação nem significa que todas as suspeitas apontadas pela PF estejam comprovadas.

O caso deverá avançar com a análise dos elementos reunidos pela Polícia Federal e com a manifestação da Procuradoria-Geral da República.

O ministro André Mendonça também deverá levar a questão ao plenário do STF, onde os ministros poderão avaliar a validade da apuração e os limites das medidas adotadas durante a investigação.

A PGR, por sua vez, apontou possíveis irregularidades na própria investigação conduzida por Mendonça e defendeu a nulidade do relatório policial que reuniu as conversas. Para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, haveria uma “dupla nulidade” envolvendo a apuração e os elementos obtidos.

Dessa forma, o caso tem duas discussões diferentes, o conteúdo das mensagens e contratos e, paralelamente, a validade jurídica da forma como esses elementos foram obtidos e incorporados à investigação.

Até que essas questões sejam decididas, as conversas, encontros e contratos descritos no relatório devem ser tratados como elementos de uma investigação, e não como prova definitiva de crime ou de responsabilidade de Moraes.

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O relatório da Polícia Federal que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (1º/9), reúne mensagens, contratos, registros de encontros e outros elementos que mostram contatos frequentes entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes.

O material faz parte das investigações sobre o Banco Master e passou a ter maior repercussão depois que Mendonça determinou a retirada do sigilo. As informações, porém, ainda estão inseridas em uma investigação e não representam, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal de Moraes.

Segundo a PF, as investigações apontam para um esquema que teria utilizado operações e ativos sem lastro suficiente para aumentar artificialmente o valor do Banco Master. A suspeita é de que a instituição tenha utilizado esses mecanismos para aparentar maior solidez, captar recursos de investidores e realizar operações sem garantias consideradas adequadas.

Vorcaro está preso no âmbito das investigações. A PF também apontou suspeitas de que o empresário mantinha uma estrutura destinada a monitorar e intimidar possíveis adversários, além de riscos relacionados à destruição de provas, continuidade de operações de lavagem de dinheiro e interferência nas investigações.

Conversas sobre uma possível operação da PF

Um dos pontos que mais chamaram atenção no relatório são as mensagens trocadas diretamente entre Vorcaro e Moraes.

Em 15 de novembro de 2025, o banqueiro perguntou ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Dois dias depois, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal ao tentar embarcar em um avião particular.

Foto: Reprodução

 

A prisão ocorreu durante uma operação que investigava suspeitas relacionadas à venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.

A PF incluiu as conversas no relatório por entender que elas ajudam a reconstruir a relação entre o empresário e o ministro. O conteúdo, entretanto, deverá ser analisado pelas autoridades responsáveis pela investigação para determinar se houve alguma conduta irregular.

Contratos com escritório ligado à família de Moraes

Outro ponto destacado pela investigação envolve contratos entre empresas de Vorcaro e o escritório de advocacia Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Segundo a PF, um dos contratos tinha valor aproximado de R$ 131 milhões. Um segundo acordo, de R$ 50 milhões, teria sido firmado em maio de 2025 entre a Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro, e o escritório.

Foto: Reprodução

Mensagens encontradas pela polícia mostram um advogado que trabalhava para Vorcaro discutindo formas de pagamento do segundo contrato.

Uma das propostas previa o pagamento de R$ 40 milhões por meio da transferência de cotas de duas aeronaves, um jatinho e um helicóptero. Os R$ 10 milhões restantes seriam relacionados ao reembolso de despesas provocadas pelo uso das aeronaves.

Em outra conversa, Vorcaro teria classificado o pagamento ao escritório como “o mais importante que temos”. Ao reclamar da demora, afirmou a um sócio que poderia haver problemas caso o valor não fosse quitado.

Foto: Reprodução

A existência dos contratos, por si só, não comprova irregularidade. A questão investigada é se os negócios tiveram alguma relação indevida com a atuação funcional de Moraes ou se houve conflito de interesses.

“Dívida de vida” e encontros

O relatório também registra mensagens nas quais Vorcaro agradece Moraes e afirma ter uma “dívida de vida” com o ministro.

A mensagem foi enviada em 14 de novembro de 2025, no mesmo dia em que os dois conversaram sobre um encontro na residência do empresário.

Foto: Reprodução

Segundo a PF, mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam que os dois teriam se encontrado diversas vezes entre março de 2024 e agosto de 2025, incluindo registros de logística de segurança feitos por motoristas em ao menos uma dessas ocasiões.

O relatório também cita um encontro em Campos do Jordão. Em dezembro de 2023, funcionários de Vorcaro teriam recebido instruções para preparar uma estrutura especial para convidados classificados como “ultra VIP”.

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