O caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, ganhou novos capítulos nesta semana e se tornou a maior crise institucional da Corte em anos.
As revelações começaram com a edição de um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e o banqueiro. Depois, se desdobraram em mensagens pedindo ajuda à Polícia Federal, cartões de crédito para os filhos do ministro e um segundo contrato de R$ 50 milhões. O caso já provocou pedidos de impeachment, um confronto direto entre ministros do STF e a retirada do sigilo das investigações.
O contrato e a edição por Moraes
Metadados de um documento apreendido no celular de Daniel Vorcaro indicam que Alexandre de Moraes editou a versão final do contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de sua esposa. O arquivo foi modificado em 15 de janeiro de 2024, cerca de 1h40 depois de o banqueiro devolver a minuta com revisões.
O contrato previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões, totalizando R$ 108 milhões. Documentos enviados à CPI do Crime Organizado apontam que R$ 80,2 milhões foram pagos ao escritório entre 2024 e 2025. A PF também encontrou referências a um segundo contrato, de R$ 50 milhões, que envolveria cotas de aeronaves. A assessoria do escritório afirmou que essa proposta foi extinta.

Mensagens, cartões e pedidos de ajuda
As mensagens recuperadas no celular de Vorcaro revelam que ele pedia ajuda a Moraes para conter investigações da PF e da PGR. Em uma delas, o banqueiro perguntou se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso, em novembro de 2025. As trocas ocorriam por visualização única no WhatsApp.
O Banco Master também emitiu cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para dois filhos de Moraes, a pedido do escritório Barci de Moraes. Outras mensagens mostram Vorcaro cobrando funcionários para que os pagamentos ao escritório não atrasassem, classificando o contrato como “o pagamento mais importante que temos”. O ex-ministro Fábio Faria teria avisado Vorcaro sobre uma suposta cobrança de Moraes relacionada a atrasos no pagamento.
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O racha no STF e o papel de Mendonça
O ministro André Mendonça, relator do caso, retirou o sigilo da ação que apura as mensagens entre Vorcaro e Moraes e encaminhou o material à PGR. Antes disso, Moraes teria procurado Mendonça em seu gabinete e o acusado de direcionar as investigações contra ele. A conversa quase evoluiu para agressões físicas, segundo a coluna de Andreza Matais, do Metrópoles.
Mendonça teria questionado como Moraes soube do pedido de informações antes mesmo de ele ser protocolado, levantando suspeitas de vazamento na PF. O clima na Corte piorou ainda mais com a decisão de Mendonça de tornar públicos os documentos.
Reações e próximos passos
Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, pediu a renúncia de Moraes, afirmando que ele “não tem mais condição de continuar”. O senador Carlos Viana protocolou mais um pedido de impeachment, o 66º contra o ministro. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório da PF, argumentando que Mendonça extrapolou suas atribuições.
Agora, o plenário do STF deve decidir sobre a validade da investigação e se há elementos para abrir um inquérito formal contra Moraes. Mesmo que isso ocorra, o ministro não seria automaticamente afastado, pois a presunção de inocência permanece. A crise, no entanto, já expôs o racha interno e colocou a Corte sob pressão inédita em ano eleitoral.
