Mesmo com o avanço da internet e das redes sociais, o rádio continua sendo um importante meio de informação, especialmente em regiões onde o acesso a outros canais de comunicação ainda é limitado. Além de levar notícias e entretenimento, o veículo aproxima moradores, divulga serviços de interesse público e ajuda a preservar a cultura e as tradições locais.
Essa importância é lembrada em 5 de novembro, quando se comemora o Dia Nacional do Radioamador. A data também chama atenção para o papel da comunicação por rádio na integração de comunidades, principalmente em áreas distantes dos grandes centros urbanos, como localidades do interior do Amazonas e populações ribeirinhas.
Em Manaus, um exemplo dessa atuação é a Rádio Comunitária A Voz das Comunidades 87,9 FM, localizada no bairro Novo Aleixo, conhecido como Mutirão, na zona Norte da capital. A emissora mantém uma programação voltada aos moradores e utiliza o rádio como ferramenta de informação, participação social e valorização da cultura local.
A história da emissora
A A Voz das Comunidades iniciou oficialmente suas transmissões em 15 de julho de 2001, na frequência 87,9 FM. A emissora foi a primeira rádio comunitária legalizada do Amazonas e uma das pioneiras do segmento no Brasil.
Desde o início, a proposta foi dar espaço às comunidades das zonas Norte e Leste de Manaus, com programação voltada à cidadania, informação, cultura, educação e prestação de serviços.
Atualmente, a grade reúne jornalismo, música e programas culturais, educativos, religiosos e de utilidade pública. A participação de comunicadores voluntários, lideranças comunitárias e parceiros também faz parte da rotina da emissora.
A rádio ainda desenvolve projetos em parceria com universidades, com iniciativas nas áreas de saúde, educação e cidadania.
Por que a data é comemorada em 5 de novembro?
O Dia Nacional do Radioamador faz referência à publicação do Decreto nº 16.657, em 5 de novembro de 1924, que regulamentou as estações de rádio no Brasil. Antes disso, a atividade radioamadora era considerada clandestina.
Embora o radioamadorismo e a radiodifusão sejam atividades diferentes, ambas fazem parte da história da comunicação pelo rádio. O radioamadorismo permite a comunicação entre pessoas por meio de equipamentos de transmissão e recepção, inclusive em situações nas quais outros sistemas apresentam falhas.
Essa característica faz com que a atividade tenha relevância em situações de emergência e em regiões isoladas, onde a infraestrutura de telefonia e internet pode ser limitada.
Já as rádios comunitárias desempenham outro papel importante: aproximam a comunicação do cotidiano dos moradores. Por meio delas, a população pode divulgar demandas, acompanhar informações locais, conhecer iniciativas sociais e manter contato com assuntos que nem sempre recebem espaço nos grandes veículos de comunicação.
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A experiência de quem passou pela rádio comunitária
A relação entre o rádio e a comunidade também é construída por quem está atrás dos microfones. O radialista Luiz Carvalho, que atualmente trabalha na Antena 1 Manaus, teve a oportunidade de atuar na A Voz das Comunidades por seis meses. Durante esse período, acompanhou de perto a participação dos ouvintes e as ações promovidas pela emissora.
Ele recorda a experiência como uma oportunidade de aproximação com os moradores e de participação em atividades que iam além da programação radiofônica.
“Durante todos esses anos que estou como comunicador, tive o prazer de trabalhar na A Voz das Comunidades, 87,9, onde passei uma experiência de 6 meses. Foi um momento único estar próximo dos ouvintes e da comunidade, ajudar nas assistências culturais e sociais que a rádio promove”, contou.

Para Luiz, a importância das emissoras comunitárias está justamente na possibilidade de dar espaço a quem vive naquela região e nem sempre encontra canais para apresentar suas necessidades e participar do debate público.
“Mais do que só transmitir informações, a rádio comunitária dá voz à população, fortalece a cultura local e divulga ações de interesse público, promovendo a participação do cidadão. Ou seja, é um instrumento de inclusão. Ela aproxima pessoas, fortalece a comunidade e também a democracia”, afirmou.
O comunicador também lembra que a interação com os ouvintes não ficava restrita à frequência FM. Aplicativos e redes sociais ampliavam o alcance da programação e permitiam que pessoas de diferentes lugares acompanhassem as transmissões e participassem das atividades.

“Eu chamava a A Voz das Comunidades de ‘Grandona’, porque com ela a gente chegava longe, inclusive também pelo aplicativo da rádio. Muitas pessoas nos ouviam e participavam pelo nosso WhatsApp dos nossos sorteios e interações. E hoje o rádio se alia às redes sociais para ampliar a comunicação. Foi realmente magnífico trabalhar nela”, recordou.
