O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano e Rodoviários de Manaus (STTRM), Givancir Oliveira, afirmou em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (21) que, se o pagamento dos salários atrasados não fosse depositado até às 12h, levaria toda a frota de ônibus para a porta da sede do Governo do Amazonas. A declaração ocorre em meio à greve geral da categoria, que completa 24 horas sem previsão de retorno.
“Se não sair o nosso pagamento até às 12 horas, eu irei colocar toda a frota de Manaus na porta do Governo do Estado. O Governo do Estado tem a responsabilidade. Ele não pode fugir disso”, declarou Givancir.
Segundo o sindicalista, cerca de 50% da frota está parada atualmente, enquanto os outros 50% circulam com esforço da categoria. “Não tem dinheiro, gente. Quem trabalha de graça? Ninguém”, afirmou.
Críticas à Justiça Federal
O líder rodoviário também dirigiu críticas à Justiça Federal, que determinou o retorno imediato da frota sob multa de R$ 120 mil por hora, e questionou o que classificou como tratamento desigual entre trabalhadores e empresários.
“O que mais nos assusta é que a Justiça Federal, por crime de desobediência, pune severamente o trabalhador que descumpre ordem judicial. Mas não pune o empresário, com uma decisão judicial que obriga as empresas a pagarem em dia”, afirmou.
Givancir também responsabilizou o Governo do Estado pelo atraso nos pagamentos, citando o Passe Livre Estudantil. “Quem está pagando os custos desse passe livre somos nós, trabalhadores, que não estamos recebendo horas extras, terminais insalubres, pagamentos atrasados”, disse.
Nova assembleia e pauta ampliada
Givancir informou que vai convocar uma nova assembleia com sindicatos metalúrgicos e que, se a categoria aprovar, a paralisação pode se intensificar. Além dos salários atrasados, a pauta inclui o pagamento de horas extras não quitadas e a suspensão das demissões de cobradores.
“A gente não quer só receber. Nós queremos receber horas extras que não estamos recebendo, a suspensão da demissão dos cobradores, que a empresa líder continua demitindo ainda. Eu tenho um compromisso com o prefeito para não demitir mais um cobrador”, afirmou.
Greve dos rodoviários continua
O sindicalista pediu desculpas à população de Manaus, mas classificou a greve como um “mal necessário”. “A categoria já procurou a Justiça, já procurou o diálogo, mas em nada. Não tem outro caminho”, disse.
Segundo Givancir, a greve continua por tempo indeterminado até que as empresas paguem os salários atrasados. “Quero dizer para a categoria que vai continuar firme na luta, ninguém vai desistir e a greve vai continuar por tempo indeterminado”, concluiu.
A Prefeitura de Manaus, o Governo do Amazonas e as empresas concessionárias ainda não se manifestaram oficialmente sobre as novas declarações do sindicalista.
