Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Nova lei dos influenciadores: quais os reflexos para o exercício do Jornalismo?

A nova lei que regulamenta a profissão de influenciadores e criadores digitais (Lei nº 15.325/2026), sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 6 de janeiro, formaliza atividades que antes funcionavam de forma informal e promete transformar o cenário da comunicação digital. Especialistas alertam que a medida, ao reconhecer juridicamente esses profissionais, afeta diretamente o Jornalismo, criando uma concorrência formalizada por audiência e publicidade, sem, no entanto, detalhar regras claras de ética, qualificação mínima ou fiscalização contra desinformação.

A norma define o profissional de multimídia como trabalhador multifuncional, com formação técnica ou superior, apto a atuar na criação, produção, captação, edição, gestão e distribuição de conteúdos digitais em diferentes mídias eletrônicas e plataformas.

Entre as atividades enquadradas estão desde a gestão de redes sociais e publicação de vídeos até o desenvolvimento de sites, interfaces digitais, animações e jogos eletrônicos, conferindo maior segurança jurídica e reconhecimento formal à atividade que antes funcionava de modo informal no mercado.

No entanto, especialistas apontam que a legislação ainda é insuficiente para enfrentar problemas complexos como a disseminação de desinformação e a atuação em temas sensíveis, pois não detalha critérios sobre ética, qualificação mínima obrigatória nem dispositivos claros de fiscalização e punição específicos para condutas nocivas.

A nova lei também influencia a forma como receitas de publicidade em redes sociais são tratadas, exigindo clareza na fiscalização fiscal e responsabilidade jurídica em contratos e conteúdos comerciais, alinhando a atuação dos profissionais digitais às regras já existentes do mercado de trabalho e da Receita Federal.

Apesar de regulatória, a norma ainda enfrenta críticas de especialistas que defendem medidas complementares para ampliar a transparência, coibir abusos e proteger o público contra a propagação de informações falsas no ambiente digital.

Impactos da lei sobre o jornalismo

Representantes da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) discutiram junto ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, os impactos da lei sobre o exercício do jornalismo no país. A entidade defende a revisão da norma e alerta para riscos de precarização da atividade profissional.

Em documento encaminhado ao ministério, a FENAJ sustenta que é necessário garantir diálogo social na regulamentação da lei para evitar a sobreposição de atribuições e a fragilização de direitos trabalhistas. Segundo a entidade, o jornalismo exerce papel essencial para a democracia e o interesse público, o que exige regras claras sobre responsabilidades, formação e campo de atuação.


Leia mais

Nova lei muda o jogo para influenciadores e amplia riscos de processos na Justiça; entenda

TSE tem um mês para definir regras sobre uso de IA nas eleições


A nova legislação, proposta pela deputada Simone Marquetto (MDB-SP), aprovada pelo Congresso Nacional, estabelece que atividades como criar, produzir, editar, programar, publicar e gerenciar conteúdos audiovisuais e digitais passem a integrar as atribuições do chamado “profissional multimídia”.

Para sindicatos e organizações da categoria, a definição amplia excessivamente o escopo da nova profissão e pode invadir áreas já regulamentadas, como as de jornalistas, radialistas, designers e outros trabalhadores da comunicação. As entidades avaliam que a medida pode resultar em sobrecarga de trabalho, acúmulo de funções e enfraquecimento das garantias específicas do jornalismo.

Segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce), Rafael Mesquita, ao definir a profissão com base no suporte tecnológico, a lei mistura campos distintos, como informação, entretenimento e tecnologia, o que, segundo ele, compromete a delimitação das atribuições jornalísticas.

Na mesma linha, a coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Cariri (UFCA), Lígia Rodrigues, avalia que a legislação desconsidera regulamentações já existentes e abre margem para desvio de funções dentro das empresas.

Além da articulação política no Congresso, a FENAJ e os sindicatos estudam medidas jurídicas para questionar a constitucionalidade da norma. A expectativa da categoria é que o debate com o Ministério do Trabalho contribua para ajustes na regulamentação e preserve direitos históricos dos profissionais da imprensa.

Efeito

A lei que regulamenta a atividade de criadores de conteúdo e influenciadores digitais marca um novo momento para o mercado de publicidade e comunicação nas redes sociais. Para entender os impactos práticos da norma, a reportagem conversou com o advogado, educador e estudioso em Direito Digital, Aldo Evangelista, que explica como a legislação deve afetar influenciadores, empresas e o ambiente jurídico do setor.

Para Aldo, o principal efeito é o aumento da responsabilidade nas relações comerciais digitais. “A lei reforça que o influenciador é um agente econômico, o que exige mais profissionalização. Isso envolve contratos formais com marcas, transparência em conteúdos patrocinados e maior atenção às obrigações tributárias”, explica.

Na prática, publicações pagas deverão ser claramente identificadas, e tanto o criador quanto a empresa contratante podem responder por eventuais irregularidades, como publicidade enganosa ou danos ao consumidor. “O mercado tende a se tornar mais seguro, mas também menos informal”, afirma.

Na prática, isso significa que:

  • conteúdos patrocinados devem ser claramente identificados;
  • contratos com marcas devem ser formalizados por escrito;
  • influenciadores podem responder civilmente por publicidade enganosa ou por danos ao consumidor;
  • empresas contratantes passam a ter maior corresponsabilidade sobre campanhas e orientações dadas aos criadores.

Para o mercado, a tendência é de profissionalização e redução de práticas informais.

O advogado acrescenta que a regulamentação não cria uma nova profissão que substitua categorias existentes. De acordo com Evangelista, a chave está na delimitação das atividades. “O criador de conteúdo atua de forma independente nas plataformas digitais, sem vínculo editorial com veículos de imprensa. Essa distinção é importante para evitar conflitos com profissões regulamentadas.”

O conteúdo produzido por influenciadores está geralmente ligado a entretenimento, opinião ou publicidade, e não à atividade jornalística profissional, o que ajuda a diferenciar os campos de atuação.

Ainda segundo o especialista, a legislação não altera automaticamente o regime de trabalho. O enquadramento dependerá da forma como a atividade é exercida. “A maioria continuará atuando como autônomo ou por meio de empresa própria, podem ser MEI. No entanto, se houver subordinação, exclusividade e habitualidade, pode haver reconhecimento de vínculo empregatício, conforme as regras já existentes na legislação trabalhista”, diz.

Para Aldo Evangelista, a lei representa um avanço importante. “Ela reconhece formalmente a atividade e reforça obrigações que já existiam, especialmente em relação ao Código de Defesa do Consumidor e à transparência na publicidade.”

Apesar disso, alguns pontos ainda devem ser definidos ao longo do tempo. Entre eles critérios objetivos, questões tributárias e regulamentações complementares.

Quem define quem é criador de conteúdo?

A caracterização não depende apenas do número de seguidores. O elemento central é a atividade econômica. “É considerado criador quem produz conteúdo de forma habitual e obtém remuneração direta ou indireta com isso, seja por publicidade, parcerias ou monetização de plataformas.”

Na avaliação de Aldo, a “tendência é de maior transparência, mais segurança jurídica e relações comerciais mais equilibradas entre criadores, empresas e consumidores.”

- Publicidade -[adrotate group="7"]

A nova lei que regulamenta a profissão de influenciadores e criadores digitais (Lei nº 15.325/2026), sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 6 de janeiro, formaliza atividades que antes funcionavam de forma informal e promete transformar o cenário da comunicação digital. Especialistas alertam que a medida, ao reconhecer juridicamente esses profissionais, afeta diretamente o Jornalismo, criando uma concorrência formalizada por audiência e publicidade, sem, no entanto, detalhar regras claras de ética, qualificação mínima ou fiscalização contra desinformação.

A norma define o profissional de multimídia como trabalhador multifuncional, com formação técnica ou superior, apto a atuar na criação, produção, captação, edição, gestão e distribuição de conteúdos digitais em diferentes mídias eletrônicas e plataformas.

Entre as atividades enquadradas estão desde a gestão de redes sociais e publicação de vídeos até o desenvolvimento de sites, interfaces digitais, animações e jogos eletrônicos, conferindo maior segurança jurídica e reconhecimento formal à atividade que antes funcionava de modo informal no mercado.

No entanto, especialistas apontam que a legislação ainda é insuficiente para enfrentar problemas complexos como a disseminação de desinformação e a atuação em temas sensíveis, pois não detalha critérios sobre ética, qualificação mínima obrigatória nem dispositivos claros de fiscalização e punição específicos para condutas nocivas.

A nova lei também influencia a forma como receitas de publicidade em redes sociais são tratadas, exigindo clareza na fiscalização fiscal e responsabilidade jurídica em contratos e conteúdos comerciais, alinhando a atuação dos profissionais digitais às regras já existentes do mercado de trabalho e da Receita Federal.

Apesar de regulatória, a norma ainda enfrenta críticas de especialistas que defendem medidas complementares para ampliar a transparência, coibir abusos e proteger o público contra a propagação de informações falsas no ambiente digital.

Impactos da lei sobre o jornalismo

Representantes da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) discutiram junto ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, os impactos da lei sobre o exercício do jornalismo no país. A entidade defende a revisão da norma e alerta para riscos de precarização da atividade profissional.

Em documento encaminhado ao ministério, a FENAJ sustenta que é necessário garantir diálogo social na regulamentação da lei para evitar a sobreposição de atribuições e a fragilização de direitos trabalhistas. Segundo a entidade, o jornalismo exerce papel essencial para a democracia e o interesse público, o que exige regras claras sobre responsabilidades, formação e campo de atuação.


Leia mais

Nova lei muda o jogo para influenciadores e amplia riscos de processos na Justiça; entenda

TSE tem um mês para definir regras sobre uso de IA nas eleições


A nova legislação, proposta pela deputada Simone Marquetto (MDB-SP), aprovada pelo Congresso Nacional, estabelece que atividades como criar, produzir, editar, programar, publicar e gerenciar conteúdos audiovisuais e digitais passem a integrar as atribuições do chamado “profissional multimídia”.

Para sindicatos e organizações da categoria, a definição amplia excessivamente o escopo da nova profissão e pode invadir áreas já regulamentadas, como as de jornalistas, radialistas, designers e outros trabalhadores da comunicação. As entidades avaliam que a medida pode resultar em sobrecarga de trabalho, acúmulo de funções e enfraquecimento das garantias específicas do jornalismo.

Segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce), Rafael Mesquita, ao definir a profissão com base no suporte tecnológico, a lei mistura campos distintos, como informação, entretenimento e tecnologia, o que, segundo ele, compromete a delimitação das atribuições jornalísticas.

Na mesma linha, a coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Cariri (UFCA), Lígia Rodrigues, avalia que a legislação desconsidera regulamentações já existentes e abre margem para desvio de funções dentro das empresas.

Além da articulação política no Congresso, a FENAJ e os sindicatos estudam medidas jurídicas para questionar a constitucionalidade da norma. A expectativa da categoria é que o debate com o Ministério do Trabalho contribua para ajustes na regulamentação e preserve direitos históricos dos profissionais da imprensa.

Efeito

A lei que regulamenta a atividade de criadores de conteúdo e influenciadores digitais marca um novo momento para o mercado de publicidade e comunicação nas redes sociais. Para entender os impactos práticos da norma, a reportagem conversou com o advogado, educador e estudioso em Direito Digital, Aldo Evangelista, que explica como a legislação deve afetar influenciadores, empresas e o ambiente jurídico do setor.

Para Aldo, o principal efeito é o aumento da responsabilidade nas relações comerciais digitais. “A lei reforça que o influenciador é um agente econômico, o que exige mais profissionalização. Isso envolve contratos formais com marcas, transparência em conteúdos patrocinados e maior atenção às obrigações tributárias”, explica.

Na prática, publicações pagas deverão ser claramente identificadas, e tanto o criador quanto a empresa contratante podem responder por eventuais irregularidades, como publicidade enganosa ou danos ao consumidor. “O mercado tende a se tornar mais seguro, mas também menos informal”, afirma.

Na prática, isso significa que:

  • conteúdos patrocinados devem ser claramente identificados;
  • contratos com marcas devem ser formalizados por escrito;
  • influenciadores podem responder civilmente por publicidade enganosa ou por danos ao consumidor;
  • empresas contratantes passam a ter maior corresponsabilidade sobre campanhas e orientações dadas aos criadores.

Para o mercado, a tendência é de profissionalização e redução de práticas informais.

O advogado acrescenta que a regulamentação não cria uma nova profissão que substitua categorias existentes. De acordo com Evangelista, a chave está na delimitação das atividades. “O criador de conteúdo atua de forma independente nas plataformas digitais, sem vínculo editorial com veículos de imprensa. Essa distinção é importante para evitar conflitos com profissões regulamentadas.”

O conteúdo produzido por influenciadores está geralmente ligado a entretenimento, opinião ou publicidade, e não à atividade jornalística profissional, o que ajuda a diferenciar os campos de atuação.

Ainda segundo o especialista, a legislação não altera automaticamente o regime de trabalho. O enquadramento dependerá da forma como a atividade é exercida. “A maioria continuará atuando como autônomo ou por meio de empresa própria, podem ser MEI. No entanto, se houver subordinação, exclusividade e habitualidade, pode haver reconhecimento de vínculo empregatício, conforme as regras já existentes na legislação trabalhista”, diz.

Para Aldo Evangelista, a lei representa um avanço importante. “Ela reconhece formalmente a atividade e reforça obrigações que já existiam, especialmente em relação ao Código de Defesa do Consumidor e à transparência na publicidade.”

Apesar disso, alguns pontos ainda devem ser definidos ao longo do tempo. Entre eles critérios objetivos, questões tributárias e regulamentações complementares.

Quem define quem é criador de conteúdo?

A caracterização não depende apenas do número de seguidores. O elemento central é a atividade econômica. “É considerado criador quem produz conteúdo de forma habitual e obtém remuneração direta ou indireta com isso, seja por publicidade, parcerias ou monetização de plataformas.”

Na avaliação de Aldo, a “tendência é de maior transparência, mais segurança jurídica e relações comerciais mais equilibradas entre criadores, empresas e consumidores.”

- Publicidade -[adrotate group="9"]

Mais lidas

Anvisa libera venda de medicamentos em aplicativos de entrega

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogou medidas preventivas que proibiam a comercialização, distribuição e propaganda de medicamentos por plataformas digitais como iFood,...

Anvisa retira seis marcas de sal do mercado por irregularidades

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou no sábado (8) a apreensão de seis marcas de sal comercializadas sem regularização sanitária no Brasil....
- Publicidade - [adrotate group="17"]

Teste para identificar câncer de mama hereditário será oferecido pelo SUS

Um teste genético capaz de identificar alterações hereditárias relacionadas ao câncer de mama está sendo incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão...

O que é ser um bom pai? Pesquisa revela mudança na visão dos brasileiros

No Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), um estudo do Instituto Nexus mostra que a relação dos brasileiros com a paternidade está passando...
- Publicidade - [adrotate group="18"]

Veja como bloquear o celular em caso de roubo

O Celular Seguro é uma plataforma do governo que permite cadastrar o celular e emitir um alerta em casos de roubo, furto ou perda....

Governo alerta para golpes sobre renegociações de dívidas nas redes sociais

Criminosos estão usando anúncios falsos no Facebook, Instagram e WhatsApp para enganar pessoas que procuram renegociar dívidas. As publicações usam o nome e até...
- Publicidade - [adrotate group="19"]
- Publicidade - [adrotate group="1"]
Leia também

Anvisa libera venda de medicamentos em aplicativos de entrega

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogou medidas preventivas que proibiam a comercialização, distribuição e propaganda de medicamentos por plataformas digitais como iFood,...

Anvisa retira seis marcas de sal do mercado por irregularidades

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou no sábado (8) a apreensão de seis marcas de sal comercializadas sem regularização sanitária no Brasil....

Teste para identificar câncer de mama hereditário será oferecido pelo SUS

Um teste genético capaz de identificar alterações hereditárias relacionadas ao câncer de mama está sendo incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão...

O que é ser um bom pai? Pesquisa revela mudança na visão dos brasileiros

No Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), um estudo do Instituto Nexus mostra que a relação dos brasileiros com a paternidade está passando...

Veja como bloquear o celular em caso de roubo

O Celular Seguro é uma plataforma do governo que permite cadastrar o celular e emitir um alerta em casos de roubo, furto ou perda....

Governo alerta para golpes sobre renegociações de dívidas nas redes sociais

Criminosos estão usando anúncios falsos no Facebook, Instagram e WhatsApp para enganar pessoas que procuram renegociar dívidas. As publicações usam o nome e até...
- Publicidade - [adrotate group="21"]
- Publicidade - [adrotate group="23"]