Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Reforma trabalhista de 2017 aumentou informalidade e reduziu salários, aponta estudo

Um estudo conduzido pela pesquisadora Nikita Kohli, doutoranda na Duke University (EUA), mostra que os efeitos da mudança foram o oposto do esperado

A reforma trabalhista de 2017, sancionada durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), tinha como promessa modernizar as relações de trabalho, ampliar a oferta de empregos formais e reduzir a judicialização nas relações entre patrões e empregados. No entanto, um estudo conduzido pela pesquisadora Nikita Kohli, doutoranda na Duke University (EUA), mostra que os efeitos da mudança foram o oposto do esperado.

A pesquisa, publicada em versão preliminar no blog Development Impact, do Banco Mundial, aponta que, nos anos posteriores à implementação da reforma, os salários dos trabalhadores com carteira assinada caíram 0,9%, enquanto as contratações formais retraíram 2,5%. Esses dados foram obtidos a partir da análise de informações da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e da Pnad Contínua do IBGE, entre 2012 e 2021.

Utilizando um modelo contrafactual — técnica que permite simular cenários alternativos ao que ocorreu —, Kohli conseguiu isolar os impactos causados pela reforma trabalhista. O resultado mais surpreendente, segundo ela, foi que, mesmo com a redução dos custos dos trabalhadores formais, o número de empregos com carteira assinada também caiu.

“O que é surpreendente nesses resultados é que os trabalhadores formais ficaram mais baratos, seus salários caíram, mas o emprego formal também diminuiu”, afirmou Kohli em entrevista à BBC News Brasil.

Intrigada com esse paradoxo, a pesquisadora passou a investigar o que teria acontecido com a informalidade no mercado de trabalho brasileiro. O que encontrou foi um crescimento de 6,7% na taxa de informalidade após a reforma de 2017. Naquele ano, 40,2% da força de trabalho estava na informalidade, totalizando 37,1 milhões de brasileiros sem acesso a direitos como férias, décimo terceiro salário e FGTS. Em países desenvolvidos, a média de informalidade é de 18%, conforme dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Segundo Kohli, um dos principais fatores que explicam esse cenário foi o enfraquecimento dos sindicatos, que perderam 97% de sua receita após o fim da contribuição sindical obrigatória.

“Minha hipótese é que as empresas podem estar pensando: ‘Ok, os sindicatos desapareceram. Estes trabalhadores formais tornaram-se mais baratos, mas agora também é menos provável que sejamos inspecionados’”, avaliou a economista.

Sine Amazonas divulga vagas de emprego em diversas áreas para esta segunda-feira
(Foto: Reprodução)

Saiba mais:


A pesquisadora também cruzou dados sobre a força sindical em diferentes regiões do país — medida pelo número de acordos coletivos firmados — com a distância das empresas em relação às unidades de fiscalização do Ministério do Trabalho. O resultado: as áreas historicamente mais organizadas e mais distantes dos centros de fiscalização foram justamente as mais afetadas pelo aumento da informalidade.

Segundo Kohli, antes da reforma, os sindicatos atuavam como uma ponte entre os trabalhadores e os fiscais do trabalho, indicando locais com irregularidades. Com a drástica redução de recursos, muitos sindicatos fecharam unidades e reduziram equipes, o que comprometeu sua atuação. Embora o número total de inspeções tenha se mantido estável, elas passaram a se concentrar em regiões mais próximas dos centros urbanos, deixando as áreas remotas à margem da fiscalização.

Trabalhadores criticam reforma trabalhista e empresários defendem

Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), confirma os efeitos relatados no estudo.

“A reforma de 2017, além de desfigurar a CLT, tirou de forma abrupta o oxigênio advindo da contribuição sindical do movimento sindical em geral e dos comerciários de uma forma especial”, afirmou.

Segundo ele, o sindicato chegou a ter mais de 600 funcionários antes da reforma, mas precisou cortar esse número pela metade nos anos seguintes.

Salário mínimo deve ser reajustado em 1º de maio, diz ministro
(Foto: reprodução)

Do lado patronal, a Fecomércio-SP defende os avanços da nova legislação. A entidade afirma que a reforma manteve os direitos trabalhistas essenciais e trouxe flexibilidade para temas como jornada de trabalho e banco de horas. Empresários, no entanto, expressam preocupação com a insegurança jurídica, já que muitos pontos da reforma seguem sendo questionados nos tribunais.

O sociólogo José Pastore, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomércioSP, argumenta que a reforma apenas tornou voluntária a contribuição sindical, o que, segundo ele, garante mais liberdade de escolha aos trabalhadores. Ainda assim, a taxa de sindicalização no Brasil caiu de 16,1% em 2012 para 8,4% em 2023, o menor índice da série histórica do IBGE.

Para Nikita Kohli, os resultados do estudo devem servir como alerta sobre a importância de sindicatos fortes e de uma fiscalização efetiva para a proteção dos direitos trabalhistas. “Informalidade está aumentando em todo o mundo”, afirma. No caso brasileiro, o enfraquecimento das estruturas sindicais, somado à fragilidade da fiscalização pública, pode estar empurrando milhões de trabalhadores para a invisibilidade e a precarização.

- Publicidade -[adrotate group="7"]

A reforma trabalhista de 2017, sancionada durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), tinha como promessa modernizar as relações de trabalho, ampliar a oferta de empregos formais e reduzir a judicialização nas relações entre patrões e empregados. No entanto, um estudo conduzido pela pesquisadora Nikita Kohli, doutoranda na Duke University (EUA), mostra que os efeitos da mudança foram o oposto do esperado.

A pesquisa, publicada em versão preliminar no blog Development Impact, do Banco Mundial, aponta que, nos anos posteriores à implementação da reforma, os salários dos trabalhadores com carteira assinada caíram 0,9%, enquanto as contratações formais retraíram 2,5%. Esses dados foram obtidos a partir da análise de informações da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e da Pnad Contínua do IBGE, entre 2012 e 2021.

Utilizando um modelo contrafactual — técnica que permite simular cenários alternativos ao que ocorreu —, Kohli conseguiu isolar os impactos causados pela reforma trabalhista. O resultado mais surpreendente, segundo ela, foi que, mesmo com a redução dos custos dos trabalhadores formais, o número de empregos com carteira assinada também caiu.

“O que é surpreendente nesses resultados é que os trabalhadores formais ficaram mais baratos, seus salários caíram, mas o emprego formal também diminuiu”, afirmou Kohli em entrevista à BBC News Brasil.

Intrigada com esse paradoxo, a pesquisadora passou a investigar o que teria acontecido com a informalidade no mercado de trabalho brasileiro. O que encontrou foi um crescimento de 6,7% na taxa de informalidade após a reforma de 2017. Naquele ano, 40,2% da força de trabalho estava na informalidade, totalizando 37,1 milhões de brasileiros sem acesso a direitos como férias, décimo terceiro salário e FGTS. Em países desenvolvidos, a média de informalidade é de 18%, conforme dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Segundo Kohli, um dos principais fatores que explicam esse cenário foi o enfraquecimento dos sindicatos, que perderam 97% de sua receita após o fim da contribuição sindical obrigatória.

“Minha hipótese é que as empresas podem estar pensando: ‘Ok, os sindicatos desapareceram. Estes trabalhadores formais tornaram-se mais baratos, mas agora também é menos provável que sejamos inspecionados’”, avaliou a economista.

Sine Amazonas divulga vagas de emprego em diversas áreas para esta segunda-feira
(Foto: Reprodução)

Saiba mais:


A pesquisadora também cruzou dados sobre a força sindical em diferentes regiões do país — medida pelo número de acordos coletivos firmados — com a distância das empresas em relação às unidades de fiscalização do Ministério do Trabalho. O resultado: as áreas historicamente mais organizadas e mais distantes dos centros de fiscalização foram justamente as mais afetadas pelo aumento da informalidade.

Segundo Kohli, antes da reforma, os sindicatos atuavam como uma ponte entre os trabalhadores e os fiscais do trabalho, indicando locais com irregularidades. Com a drástica redução de recursos, muitos sindicatos fecharam unidades e reduziram equipes, o que comprometeu sua atuação. Embora o número total de inspeções tenha se mantido estável, elas passaram a se concentrar em regiões mais próximas dos centros urbanos, deixando as áreas remotas à margem da fiscalização.

Trabalhadores criticam reforma trabalhista e empresários defendem

Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), confirma os efeitos relatados no estudo.

“A reforma de 2017, além de desfigurar a CLT, tirou de forma abrupta o oxigênio advindo da contribuição sindical do movimento sindical em geral e dos comerciários de uma forma especial”, afirmou.

Segundo ele, o sindicato chegou a ter mais de 600 funcionários antes da reforma, mas precisou cortar esse número pela metade nos anos seguintes.

Salário mínimo deve ser reajustado em 1º de maio, diz ministro
(Foto: reprodução)

Do lado patronal, a Fecomércio-SP defende os avanços da nova legislação. A entidade afirma que a reforma manteve os direitos trabalhistas essenciais e trouxe flexibilidade para temas como jornada de trabalho e banco de horas. Empresários, no entanto, expressam preocupação com a insegurança jurídica, já que muitos pontos da reforma seguem sendo questionados nos tribunais.

O sociólogo José Pastore, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomércioSP, argumenta que a reforma apenas tornou voluntária a contribuição sindical, o que, segundo ele, garante mais liberdade de escolha aos trabalhadores. Ainda assim, a taxa de sindicalização no Brasil caiu de 16,1% em 2012 para 8,4% em 2023, o menor índice da série histórica do IBGE.

Para Nikita Kohli, os resultados do estudo devem servir como alerta sobre a importância de sindicatos fortes e de uma fiscalização efetiva para a proteção dos direitos trabalhistas. “Informalidade está aumentando em todo o mundo”, afirma. No caso brasileiro, o enfraquecimento das estruturas sindicais, somado à fragilidade da fiscalização pública, pode estar empurrando milhões de trabalhadores para a invisibilidade e a precarização.

- Publicidade -[adrotate group="9"]
Ingrid Formoso
Ingrid Formoso
Jornalista , há mais de 10 anos, já passou pela assessoria de vários orgãos públicos do Estado, foi produtora de tv e rádio e agora é editora chefe do Portal que mais cresce no Amazonas.

Mais lidas

Anvisa proíbe “chás emagrecedores” que prometem efeito de Mounjaro

Os chamados “chás emagrecedores” e produtos em cápsulas que prometem efeitos semelhantes aos das canetas para emagrecer, como o Mounjaro, estão proibidos de serem...

Fachin defende investigação sobre ameaças a Dino e reafirma proteção à imprensa

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, defendeu nesta quinta-feira (13/8) a investigação da Polícia Federal sobre possíveis ameaças ao...
- Publicidade - [adrotate group="17"]

Advogado que defendeu Heleno no STF é acusado de agredir a esposa

A Justiça do Distrito Federal determinou que o advogado Matheus Mayer Milanez cumpra medidas protetivas de urgência após ser acusado pela própria esposa de...

“A marreta contra a liberdade”: jornais condenam Moraes por quebrar sigilo de fonte

Os jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo publicaram editoriais nesta quinta-feira (13) nos quais criticam o ministro Alexandre de...
- Publicidade - [adrotate group="18"]

Concurso da Transpetro abre 4,1 mil vagas com salários de até R$ 15 mil

A Transpetro, subsidiária da Petrobras, abriu nesta quarta-feira (12) as inscrições do concurso público com 4.171 oportunidades, sendo 281 vagas imediatas e 3.890 para...

Pilotos relataram ter avistado 18 casos de OVNIs no Brasil em 2025

Pelo menos 18 casos envolvendo Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) foram relatados no Brasil em 2025 por pilotos, controladores de tráfego e outras pessoas...
- Publicidade - [adrotate group="19"]
- Publicidade - [adrotate group="1"]
Leia também

Anvisa proíbe “chás emagrecedores” que prometem efeito de Mounjaro

Os chamados “chás emagrecedores” e produtos em cápsulas que prometem efeitos semelhantes aos das canetas para emagrecer, como o Mounjaro, estão proibidos de serem...

Fachin defende investigação sobre ameaças a Dino e reafirma proteção à imprensa

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, defendeu nesta quinta-feira (13/8) a investigação da Polícia Federal sobre possíveis ameaças ao...

Advogado que defendeu Heleno no STF é acusado de agredir a esposa

A Justiça do Distrito Federal determinou que o advogado Matheus Mayer Milanez cumpra medidas protetivas de urgência após ser acusado pela própria esposa de...

“A marreta contra a liberdade”: jornais condenam Moraes por quebrar sigilo de fonte

Os jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo publicaram editoriais nesta quinta-feira (13) nos quais criticam o ministro Alexandre de...

Concurso da Transpetro abre 4,1 mil vagas com salários de até R$ 15 mil

A Transpetro, subsidiária da Petrobras, abriu nesta quarta-feira (12) as inscrições do concurso público com 4.171 oportunidades, sendo 281 vagas imediatas e 3.890 para...

Pilotos relataram ter avistado 18 casos de OVNIs no Brasil em 2025

Pelo menos 18 casos envolvendo Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) foram relatados no Brasil em 2025 por pilotos, controladores de tráfego e outras pessoas...
- Publicidade - [adrotate group="21"]
- Publicidade - [adrotate group="23"]