A eleição para o Senado ganhou um ingrediente extra no momento que antecipa o primeiro turno do pleito no Amazonas: a escolha de Renato Junior para o segundo nome que receberá seu apoio.
O prefeito de Manaus já declarou apoio à reeleição de Eduardo Braga, do MDB, numa decisão que surpreendeu parte do meio político porque Braga está no palanque de Omar Aziz, enquanto Renato atua na campanha de David Almeida, do Avante, na disputa pelo Governo do Amazonas.
Renato Junior já sinalizou que pretende escolher seus candidatos levando em consideração os interesses de Manaus, especialmente a capacidade de articulação em Brasília e a destinação de recursos para a capital. Essa postura abre espaço para alianças que ultrapassam as fronteiras partidárias.
E é justamente aí que começa o jogo.
O prefeito assumiu o comando de Manaus em um momento de forte movimentação política e, ao longo dos próximos dois anos, terá a oportunidade de consolidar sua própria marca administrativa e ampliar sua rede de alianças.
Por isso, cada apoio construído agora pode ter valor mais adiante.
Senadores e deputados federais são importantes para qualquer prefeito pela articulação e a busca de recursos para a capital. Ao escolher nomes de diferentes campos políticos, Renato amplia suas portas em Brasília e evita ficar dependente de apenas um grupo.
É uma relação que vai além do nosso quintal atual. Renato está à frente da Prefeitura e deve concorrer à reeleição em 2028.
Por isso, a estratégia pode ser resumida em uma lógica bastante pragmática: não necessariamente apoiar quem está no mesmo palanque, mas quem pode continuar sendo útil politicamente depois da eleição.
Foi essa lógica que ajudou a explicar o apoio a Eduardo Braga. E pode ser exatamente a mesma lógica que levará Renato Junior ao segundo nome.
Daqui a dois anos, Renato Júnior estará muito mais favorecido para construir seu próprio caminho, com uma gestão bem avaliada, terá a máquina municipal, visibilidade e uma rede de aliados construída como ativos políticos importantes.
E é justamente por isso que o segundo nome para o Senado merece atenção.
Renato não está apenas “escolhendo”, ele determina quem quer manter por perto e com portas abertas quando a eleição de 2026 terminar.
O Avante não possui um candidato competitivo próprio para o Senado. O DC, que integra o campo político, tem Dailson Corrêa na disputa, mas ainda não há indicativo de que ele será o nome escolhido para receber uma estrutura robusta do grupo. A lista oficial de candidatos também inclui Alberto Neto (PL), Plínio Valério (PSDB) e Wilson Lima (UB).
O que mais ventila é o nome de Plínio Valério.
O próprio Plínio afirmou que considera importante ter o apoio do prefeito, embora tenha dito que não havia conversado com Renato Junior sobre uma eventual aliança.
E os outros nomes?
Wilson Lima também está no tabuleiro, mas enfrenta uma dificuldade política evidente. O ex-governador está inserido no campo do União Brasil e vem sendo alvo dos adversários de Roberto Cidade, o que torna uma aproximação com Renato Junior mais complexa.
Alberto Neto, por sua vez, tem a força eleitoral do PL, mas também não parece reunir, neste momento, o mesmo nível de trânsito político que Braga e Plínio podem oferecer à administração municipal. Ainda existe o fator Maria do Carmo, que embora não esteja na disputa pelo Senado, representa politicamente um campo que já protagonizou críticas à gestão de Manaus. Isso pode pesar na construção de uma eventual aproximação com Alberto Neto.
Mais do que escolher um senador, o prefeito de Manaus pode estar construindo as alianças que serão importantes para seu próprio projeto político.
