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Senador erra sobre o Polo Industrial de Manaus

Quando o assunto é uma mudança importante nas relações de trabalho, como a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, espera-se de um senador mais do que uma opinião: é preciso conhecer a realidade dos setores afetados.

Um debate recente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, entre os senadores Jaime Bagattoli (PL-RO) e Omar Aziz (PSD-AM), expôs justamente esse desafio. Ao tratar dos possíveis impactos da redução da jornada, Bagattoli usou o Polo Industrial de Manaus (PIM) como exemplo, questionando como pequenas empresas suportariam a mudança e associando-a a aumento de custos, inflação e perda de competitividade. O problema é que a realidade apresentada por ele não corresponde, segundo Omar Aziz, ao funcionamento atual de boa parte do setor.

No PIM, a jornada 5×2 já existe

Omar afirmou que a indústria da Zona Franca já trabalha no modelo 5×2, cinco dias de trabalho para dois de descanso, garantido por acordos coletivos que também preveem plano de saúde, transporte e, em regra, folga aos sábados e domingos, com possibilidade de horas extras. Esse ponto é importante porque impede uma associação automática entre redução da jornada e queda da produção: a discussão envolve também organização de turnos, produtividade, tecnologia e planejamento, não apenas o número de horas.

Uma questão que vai além das horas

Enquanto Bagattoli insistiu que a mudança elevaria custos e comprometeria a competitividade, Omar levou o debate para a relação entre faturamento e salários, afirmando dispor de dados sobre o setor. Ele citou ainda a robotização como fator que pode reduzir postos de trabalho caso não haja expansão do número de empresas, o que desloca a discussão: o futuro do emprego industrial depende de investimento, produtividade e distribuição dos ganhos, não só da carga horária.


Leia mais

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E o risco de perder competitividade?

É legítimo discutir os efeitos econômicos de uma redução da jornada, mas há diferença entre apontar uma possibilidade e tratá-la como consequência automática. O PIM está inserido em uma estrutura própria, com décadas de incentivos fiscais e acordos coletivos consolidados. Afirmar que uma redução de quatro horas semanais levaria fábricas a deixar Manaus exige dados sobre custos, produtividade e competitividade internacional, não apenas uma afirmação política. Sem esses dados, o argumento vira hipótese apresentada como certeza.

O problema não é ser contra. É conhecer

Um senador pode se opor à redução da jornada e defender que ela prejudicará empresas ou empregos, isso faz parte do debate democrático. O problema começa quando usa como exemplo um dos principais polos industriais do país sem demonstrar que conhece seu funcionamento. Foi isso que tornou a resposta de Omar Aziz relevante: em vez de discutir a Zona Franca em termos abstratos, ele recorreu a dados concretos sobre jornada, benefícios e transformação tecnológica do setor.

O parlamentar não precisa concordar com a proposta, mas precisa conhecer a realidade sobre a qual vota. Uma posição contrária sustentada por dados fortalece o debate; uma posição baseada em generalizações expõe justamente a falta de conhecimento que deveria ser evitada em um cargo de tamanha responsabilidade. A discussão sobre jornada de trabalho envolve produtividade, salários, tecnologia e competitividade, e exige que quem decide tenha informação suficiente para separar argumento político de realidade econômica.

 

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Quando o assunto é uma mudança importante nas relações de trabalho, como a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, espera-se de um senador mais do que uma opinião: é preciso conhecer a realidade dos setores afetados.

Um debate recente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, entre os senadores Jaime Bagattoli (PL-RO) e Omar Aziz (PSD-AM), expôs justamente esse desafio. Ao tratar dos possíveis impactos da redução da jornada, Bagattoli usou o Polo Industrial de Manaus (PIM) como exemplo, questionando como pequenas empresas suportariam a mudança e associando-a a aumento de custos, inflação e perda de competitividade. O problema é que a realidade apresentada por ele não corresponde, segundo Omar Aziz, ao funcionamento atual de boa parte do setor.

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Enquanto Bagattoli insistiu que a mudança elevaria custos e comprometeria a competitividade, Omar levou o debate para a relação entre faturamento e salários, afirmando dispor de dados sobre o setor. Ele citou ainda a robotização como fator que pode reduzir postos de trabalho caso não haja expansão do número de empresas, o que desloca a discussão: o futuro do emprego industrial depende de investimento, produtividade e distribuição dos ganhos, não só da carga horária.


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