O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na madrugada desta sexta-feira (23/10), autorizações para a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. A iniciativa ocorreu após um acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas os dados dos dois candidatos ainda não haviam sido divulgados publicamente até o fim da manhã.
O envio dos documentos ocorreu depois do prazo estabelecido no acordo, que previa a apresentação das autorizações até as 23h59 de quinta-feira (22). A campanha de Flávio protocolou a documentação no início da madrugada seguinte, enquanto a equipe de Lula havia apresentado seus documentos na noite anterior.
Na petição encaminhada ao TSE, a defesa do senador também voltou a cobrar a divulgação dos gastos com cartões corporativos da Presidência da República e de informações sobre visitas ao gabinete presidencial. A cobrança faz parte das condições apresentadas por Flávio durante as negociações para a abertura dos sigilos.
O acordo prevê a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas dos candidatos, além de dados de familiares e empresas abrangidos pelas autorizações. No caso de Flávio, a documentação inclui informações relacionadas a empresas das quais ele é sócio ou administrador, além de registros de mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, conforme os termos apresentados pela campanha.
TSE não vai intermediar divulgação
O impasse envolve a participação da Justiça Eleitoral na liberação dos dados. Na quinta-feira (22), o ministro André Mendonça, relator do caso no TSE, afirmou que os próprios candidatos podem divulgar voluntariamente as informações e que não cabe à Corte determinar o que deve ser tornado público.
O ministro também ressaltou que a divulgação espontânea de documentos não substitui investigações conduzidas pelos órgãos competentes.
A campanha de Lula pediu que Mendonça reconsidere a decisão e atue para garantir que as informações sejam divulgadas simultaneamente e com possibilidade de verificação. Já a defesa de Flávio sustenta que o adversário pode divulgar diretamente os dados e cobra o cumprimento das condições apresentadas pelo senador.
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A disputa ganhou força após o debate presidencial da TV Band, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a autorizar a abertura dos sigilos. A troca de exigências entre as campanhas transformou o tema em mais um ponto de confronto na reta final do segundo turno, marcado para domingo (25).
Até a manhã desta sexta-feira, porém, a apresentação das autorizações ainda não havia resultado na divulgação pública dos registros bancários, fiscais e telefônicos dos candidatos.
