Governos de diferentes países estão reforçando orientações para que a população mantenha em casa reservas de água potável, alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais. As recomendações fazem parte de estratégias de preparação para emergências que podem provocar apagões, interromper o abastecimento e dificultar o acesso a serviços básicos.
O movimento ganhou destaque nos últimos meses, especialmente na Europa. Em 22 de outubro de 2026, o Reino Unido lançou a campanha Be Ready (Esteja Preparado), que orienta os moradores a manter suprimentos suficientes para enfrentar pelo menos 72 horas sem serviços como energia elétrica, água, telefonia e internet.
A iniciativa, no entanto, não é isolada. Em março de 2025, a Comissão Europeia já havia apresentado uma estratégia de preparação para crises, recomendando que os cidadãos tenham condições de atender às próprias necessidades básicas durante pelo menos três dias. No Japão, onde terremotos, tufões e outros desastres naturais são recorrentes, as autoridades recomendam reservas para três dias, com a possibilidade de ampliar o estoque para até uma semana.
A proposta é reduzir a vulnerabilidade das famílias diante de situações que podem comprometer o funcionamento de serviços e o abastecimento de produtos. Isso inclui desde eventos climáticos extremos até ataques cibernéticos e crises de segurança.
Por que os países estão fazendo essas recomendações?
A preocupação dos governos está relacionada à possibilidade de diferentes tipos de emergência provocarem consequências semelhantes no cotidiano da população.
Uma tempestade severa, uma enchente ou um terremoto pode deixar comunidades sem eletricidade, água potável e comunicação. Já um ataque cibernético contra sistemas estratégicos pode comprometer serviços públicos, transportes e operações de abastecimento.
Na Europa, o cenário de segurança internacional também influencia as medidas de prevenção. A guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões geopolíticas ampliaram o debate sobre a proteção de infraestruturas essenciais, como redes de energia, telecomunicações e sistemas de transporte.
A Comissão Europeia considera que os países precisam estar preparados para enfrentar crises simultâneas ou prolongadas, que podem exigir uma resposta coordenada das autoridades e da sociedade.
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Isso não significa que os governos estejam anunciando uma guerra iminente ou prevendo uma falta generalizada de alimentos. A orientação é preventiva: manter uma reserva doméstica pode ajudar as famílias a atravessar os primeiros dias de uma emergência, período em que equipes de resgate e serviços públicos podem estar concentrados nas áreas mais afetadas.
Europa recomenda autonomia por pelo menos 72 horas
A estratégia apresentada pela Comissão Europeia em março de 2025 estabeleceu a recomendação de que a população consiga manter suas necessidades básicas por pelo menos 72 horas sem depender imediatamente de assistência externa.
A medida considera riscos como conflitos armados, ataques cibernéticos, desastres naturais, mudanças climáticas e interrupções de serviços essenciais.
Países como França, Irlanda e Países Baixos também adotam orientações semelhantes. A ideia é que, diante de uma emergência de grandes proporções, as famílias tenham condições de se manter temporariamente enquanto as autoridades organizam o atendimento e a distribuição de recursos.
A campanha britânica Be Ready segue essa mesma lógica. O governo recomenda manter água e alimentos não perecíveis, além de itens que permitam enfrentar a falta de energia e comunicação.
Entre os produtos indicados estão lanternas, pilhas extras, rádio portátil, carregadores de celular, dinheiro em espécie, cobertores, medicamentos e materiais de primeiros socorros.
Japão recomenda reservas para até uma semana
No Japão, a preparação doméstica faz parte das orientações de prevenção devido à frequência de terremotos, tufões e chuvas intensas. O governo recomenda que cada pessoa tenha alimentos e água suficientes para pelo menos três dias, sendo desejável manter uma reserva para até sete dias em caso de desastres de grande escala.
A orientação é de aproximadamente três litros de água por pessoa por dia. Para uma família de quatro pessoas, isso representa 36 litros para três dias ou 84 litros para uma semana.
O Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão considera que a recuperação de serviços essenciais e a normalização do abastecimento podem levar mais de uma semana depois de grandes desastres. Danos em estradas e interrupções no transporte também podem dificultar a chegada de mercadorias aos supermercados e às regiões afetadas.
Uma das estratégias recomendadas pelas autoridades japonesas é o chamado rolling stock. O método consiste em comprar pequenas quantidades extras de produtos consumidos normalmente pela família, utilizar primeiro os itens mais antigos e repor o que foi utilizado.
Assim, a reserva é mantida continuamente, sem a necessidade de comprar grandes volumes de alimentos de uma só vez ou deixar produtos vencerem.
O que deve ser mantido em casa?
Embora as recomendações variem entre os países, as listas de preparação costumam incluir produtos semelhantes:
- Água potável: suficiente para beber e, quando possível, preparar alimentos;
- Alimentos não perecíveis: enlatados, frutas secas, castanhas e produtos que não dependam de refrigeração;
- Medicamentos: especialmente os de uso contínuo;
- Iluminação: lanternas e pilhas extras;
- Comunicação: rádio portátil e carregador portátil para celular;
- Higiene e saúde: produtos de higiene pessoal e materiais de primeiros socorros;
- Outros itens: dinheiro em espécie, cobertores e roupas adequadas ao clima.
No Japão, as orientações também incluem fogareiros portáteis, cartuchos de gás, banheiros de emergência e mochilas com documentos e itens necessários para uma eventual evacuação.
As famílias precisam adaptar as reservas às próprias necessidades. Crianças pequenas, idosos, pessoas que dependem de medicamentos e animais de estimação podem exigir suprimentos específicos.
