Um relatório divulgado nesta segunda-feira (2/11) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) registra que 189 jornalistas foram mortos no mundo em 2024 e 2025. É o maior número desde o biênio 2014/2015, quando a organização contabilizou 215 mortes. Do total mais recente, 127 ocorreram em zonas de conflito, cerca de 67%. A Unesco afirma que o número cresceu 20% em relação ao biênio anterior.
Cinquenta jornalistas foram mortos em ataques com drones, segundo o relatório. A Unesco também registrou sete ataques que mataram vários profissionais em uma mesma ocorrência, incluindo ações contra locais de trabalho da imprensa e centros temporários de cobertura. Em 15 casos, jornalistas teriam sido mortos mesmo usando coletes identificados como “imprensa” ou estando em veículos com essa identificação.
Fora das zonas de conflito, foram registradas 62 mortes, o menor número em 18 anos, segundo a Unesco. O levantamento também contabilizou jornalistas mortos durante coberturas sobre conflitos armados, política, atividades criminosas e corrupção. Para a diretora de Liberdade de Expressão e Desenvolvimento da Mídia da organização, Sylvie Coudray, o risco de cobrir determinados assuntos pode se aproximar do enfrentado em zonas de guerra.
“Isso mostra que fazer reportagens sobre alguns assuntos pode ser tão perigoso quanto reportar em uma zona de guerra”, afirma Couldray.
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Entre as vítimas, 14 eram mulheres, cerca de 7% do total. Treze delas foram mortas em zonas de conflito. A Palestina concentrou 62 mortes de jornalistas no biênio, aproximadamente um terço do total registrado pela organização.
No Brasil, o relatório contabilizou uma morte: a do jornalista Luís Augusto Carneiro da Costa, conhecido como Luisinho Costa. Ele foi assassinado em maio de 2025, no estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba, no nordeste do Pará. Segundo a Polícia Civil do Pará, o inquérito foi concluído e enviado à Justiça, com quatro pessoas indiciadas.
Impunidade
Além das mortes, a Unesco apontou aumento da impunidade. A taxa global chegou a 86% em 2024/2025, ante 85% no biênio anterior. É a primeira alta desde que a organização começou a medir esse indicador, em 2012.
