Uma fatia de 9% do eleitorado brasileiro, o equivalente a cerca de 14 milhões de pessoas, rejeita ao mesmo tempo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). É o que revela a pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (27), ao identificar um grupo de eleitores “Anti-Lula e Anti-Bolsonaro”, que se posicionam contra os dois lados da polarização ao mesmo tempo.
O dado é relevante porque, em um cenário de segundo turno entre Lula e Flávio, que a pesquisa aponta como o mais provável, esses eleitores podem decidir o resultado da eleição. Atualmente, a disputa no segundo turno está empatada tecnicamente: Lula tem 47% e Flávio, 43%, com 9% de brancos e nulos.
Quem são os 9% que rejeitam Lula e Bolsonaro?
O levantamento traçou o perfil desse eleitorado. A maior concentração está entre os jovens de 16 a 24 anos (12%), seguidos por aqueles com ensino fundamental (11%), pelos desocupados (11%) e pelos moradores da região Sul (11%). Em todas as faixas de renda, o percentual é de 9%, o que indica que a rejeição a ambos os polos atravessa classes sociais.
Por gênero, o perfil é ligeiramente mais masculino: 10% dos homens se enquadram como “anti-ambos”, contra 9% das mulheres. Em relação à religião, os percentuais mais altos estão entre os que se declaram de outras religiões (11%) e entre católicos (10%). Evangélicos (8%) e pessoas sem religião (7%) têm índices menores.
Regionalmente, o Sul lidera com 11%, seguido pelo Nordeste (10%) e pelo Sudeste (9%). Norte e Centro-Oeste têm 8%. Quanto ao tipo de município, a rejeição a Lula e a Bolsonaro é maior em regiões metropolitanas (10%) e no interior (10%), enquanto nas capitais o índice cai para 7%.
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Como votam no primeiro turno
Apesar de rejeitarem simultaneamente Lula e a família Bolsonaro, esse eleitorado não se dilui no voto em branco nem se concentra na terceira via, como se poderia supor. Segundo o cruzamento entre polarização política e intenção de voto no primeiro turno, Lula lidera entre eles, com 31%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 17%, e por Renan Santos (Missão), com 15%. Completam o quadro Romeu Zema (Novo), com 10%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 7%. Outros 11% declaram voto em branco ou nulo, e 4% não souberam responder.
O resultado é, à primeira vista, contraintuitivo: mesmo entre os que dizem rejeitar o presidente, Lula ainda é a opção mais votada no primeiro turno. Isso sugere que, para parte desse grupo, a rejeição a Flávio Bolsonaro e à sua família pesa mais no momento do voto do que a rejeição ao petista, funcionando como uma espécie de voto de barreira. Renan Santos, por sua vez, aparece como a principal alternativa de terceira via entre esses eleitores, à frente de Zema e Caiado.
O que isso significa para a eleição?
Os 9% de eleitores “anti-ambos” representam um contingente decisivo, especialmente em uma eleição que pode ser resolvida no segundo turno. Com Lula e Flávio empatados tecnicamente, 47% a 43%, qualquer movimento desse eleitorado pode alterar o resultado final.
O fato de esse grupo já pender para Lula no primeiro turno, mesmo rejeitando-o, é um indicativo de para onde parte desses votos pode migrar caso a disputa de outubro se confirme entre o petista e o senador do PL. Ao mesmo tempo, a fragmentação entre Renan Santos, Zema e Caiado mostra que a terceira via ainda não conseguiu se consolidar como destino natural desse eleitorado insatisfeito com os dois polos.
A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.004 eleitores entre os dias 24 e 26 de julho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-01489/2026.





