O delegado Marcelo Martins, da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), afirmou que advogados de Maria do Carmo Seffair (PL) tentaram impedir buscas em todos os cômodos da residência da ex-candidata ao Governo do Amazonas. A operação foi realizada na manhã desta sexta-feira (6/11), na zona Centro-Sul de Manaus, em investigação sobre vídeos que utilizaram a imagem da filha adolescente do governador eleito Omar Aziz (PSD).
Segundo Martins, os advogados queriam limitar a busca à entrega do celular da ex-candidata e impedir a entrada dos policiais em um escritório dentro do imóvel. O delegado afirmou que a equipe resolveu o impasse e cumpriu a ordem judicial.
“Durante o cumprimento da diligência, nós tivemos algumas dificuldades técnicas junto aos advogados da Maria do Carmo, que queriam impor alguns obstáculos ao cumprimento da medida. Mas nós conseguimos sanar essas questões e apreendemos o aparelho celular da Maria do Carmo e o computador pessoal dela”, declarou.
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Questionado sobre a interferência, Martins explicou que a divergência envolveu especificamente o escritório. Segundo ele, a defesa alegou que o espaço era usado para atividades de advocacia e, por isso, não deveria ser incluído nas buscas.
“Eles não queriam que a busca e apreensão ocorresse em todos os cômodos da residência. Eles queriam que ela entregasse o celular e a gente não olhasse todos os cômodos, em especial o escritório dela, que ela tem dentro da residência, que eles alegaram que era o escritório de advocacia dela”, afirmou.

Delegado contesta alegação sobre o escritório
O delegado contestou a justificativa e disse que Maria do Carmo não exerce atividade profissional como advogada. Ele também afirmou que não havia documentos de clientes no local.
“Só que aquele escritório não é o escritório de advocacia dela. A gente sabe que ela não atua como advogada, ela atua como empresária, ela atua como professora, ela não tem uma atividade de advogado, não tem documentos de clientes ali naquele escritório. Essa é uma questão de conhecimento público”, disse Martins.
Defesa de Maria do Carmo alega perseguição política
Em nota, a assessoria jurídica de Maria do Carmo manifestou indignação com a operação e apontou suposta perseguição política e abuso de autoridade. A defesa afirmou que a diligência era esperada, mas questionou a forma como foi conduzida e alegou desrespeito a garantias legais e às prerrogativas da advocacia.
Os advogados também criticaram o que classificaram como uso politiqueiro da investigação e apontaram suposto vazamento de informações protegidas por segredo de Justiça. Segundo a defesa, Maria do Carmo sempre esteve à disposição das autoridades para colaborar.
A ex-candidata também se manifestou e declarou estar confiante na própria inocência.
“Estou aqui para colaborar e acredito que a Justiça dos homens será feita, porque a Justiça de Deus não falha. O fogo, quando não tem palha, não espalha”, afirmou.
Polícia apreende celular e notebook
Durante a operação, a Polícia Civil apreendeu um aparelho celular e um notebook. O celular foi apresentado pelo delegado em uma embalagem lacrada. Ainda não há confirmação se o computador pertence a Maria do Carmo ou a outra pessoa. Os dois equipamentos passarão por análise pericial.
A investigação apura a produção e a suposta divulgação de vídeos nas redes sociais que utilizaram a imagem da filha adolescente de Omar Aziz durante a campanha eleitoral de 2026.
O inquérito é conduzido pela Depca e apura possíveis crimes previstos nos artigos 241-A e 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), relacionados à divulgação e à manipulação de imagens envolvendo menores de idade.
