O deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) subiu o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste sábado (17/10) em meio à nova onda de queimadas no Amazonas.
Em publicações nas redes sociais, o parlamentar pede intervenção federal ou uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no estado, com emprego de Forças Armadas e Polícia Federal, e lembra que o próprio Lula, em 2020, cobrava do então presidente Jair Bolsonaro exatamente esse tipo de resposta. A cobrança ocorre a oito dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
O que diz o deputado?
Nas postagens, Amom Mandel afirma que “já passou da hora” de o presidente decretar intervenção federal ou GLO no Amazonas e colocar as Forças Armadas para ajudar a combater os responsáveis pelas queimadas. Sobre o governo estadual, diz que é “claramente incompetente” e que o estado não tem condições de depender apenas dele.
Em outro post, o deputado pergunta onde estão o Exército, a Aeronáutica, a Marinha e a Polícia Federal, e diz querer ver presos os autores das queimadas. Também pede apoio internacional, estrutura de “guerra” para investigar os responsáveis e Polícia Federal para prender quem, nas palavras dele, pratica “terrorismo”.
Mandel vincula a cobrança ao calendário eleitoral: diz que Lula pode esquecer votos do Amazonas se não agir e que até eleitores que votaram no petista no primeiro turno podem ficar insatisfeitos. Também cobra vídeo de “salve a Amazônia”, aviões e helicópteros apagando incêndio e pedido de apoio internacional.
Na legenda do post, o deputado diz que já conversou com ministros do Governo Federal e com autoridades estaduais nos bastidores e que, sem resultado, só lhe resta “vir a público” pedir uma atitude mais enérgica.
E resume o argumento central: “Em 2020, o próprio Lula cobrou o uso das forças armadas para combater os incêndios criminosos na Amazônia”, pedindo que o presidente “faça valer a caneta que o povo deu em 2022”.
O parlammentar, que em setembro apresentou o Requerimento de Informação 2624/2026 ao Ministério da Saúde sobre os efeitos da fumaça na população de Manaus, já defendia intervenção federal na segurança pública do Amazonas desde 2024.
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O que Lula dizia em 2020
A fala resgatada pelo deputado é de setembro de 2020, quando Lula, então fora do governo, concedeu entrevista ao portal DCM e sugeriu o uso de militares para conter incêndios florestais. Na ocasião, questionou: “Por que nossas Forças Armadas não estão com um grande contingente no Pantanal e na Amazônia para tentar combater os incêndios?” Trecho da entrevista voltou a circular em 2024 e agora em 2026, como contraponto ao atual governo.
Vale ressaltar que em 2020, as Forças Armadas já estavam na Amazônia desde maio, na Operação Verde Brasil 2, contra ilícitos ambientais. Mesmo assim, os focos de calor seguiram em alta ao longo do ano, e o STF chegou a pedir explicações ao governo Bolsonaro sobre a atuação dos militares.
As queimadas na Amazônia em 2020
Segundo dados do Inpe, o ano de 2020 teve um dos piores períodos de fogo da série recente:
• Junho: 2.248 focos na Amazônia, o maior número para o mês desde 2007.
• Setembro: 32.010 focos, alta de 61% sobre setembro de 2019. O Amazonas registrou 4.270 focos no mês, o terceiro entre os estados do bioma.
• Outubro: 17.326 focos, o segundo pior outubro em dez anos, atrás apenas de 2015 (19.469).
• Acumulado: até 22 de outubro, a Amazônia somava 89.604 focos, número já superior ao de todo o ano de 2019 (89.176).
• Amazonas: no primeiro semestre de 2020, o estado teve 496 focos, alta de 51,7% sobre o mesmo período de 2019. O governo estadual chegou a decretar emergência ambiental e pedir adesão à GLO ao governo federal para apoio das Forças Armadas.
• Combate: em agosto de 2020, brigadas do Ibama chegaram a suspender atividades por falta de recursos, com contratos sem pagamento.
O cenário atual no Amazonas
Entre 1º e 10 de outubro de 2026, o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio, alta de 271% sobre o mesmo período de 2025, segundo o Painel do Fogo do Censipam.
Até 10 de outubro, Manaus acumulava três dias seguidos sob fumaça. A prefeitura suspendeu aulas e atividades em órgãos municipais, universidades também pararam, e a Defesa Civil recomendou o uso de máscaras. Às 6h de 10 de outubro, a medição chegou a 209 µg/m³ de material particulado.
Em 2024, o Amazonas registrou 21,6 mil focos, o pior ano da série do Inpe, iniciada em 1988.
O governo federal informou que mobilizou 290 brigadistas e enviou mais seis aeronaves ao Amazonas. O Ibama diz ter extinguido 229 incêndios desde o início do período crítico e atuar em outros 20 focos ativos. As ações são coordenadas pelo Ciman Federal. O governo de São Paulo também enviou 30 profissionais. Lula declarou que o governo fará “tudo que for necessário” para debelar os incêndios em Manaus.




