O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), removeu, na terça-feira (1º/9), o sigilo sobre um relatório da Polícia Federal que expõe mensagens e contatos entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro da corte Alexandre de Moraes. Vorcaro está preso por fraude bancária. Segundo a PF, há indícios de que ele mantinha uma estrutura de monitoramento e intimidação de adversários, com risco de destruição de provas, continuidade da lavagem e interferência nas investigações.
Com a prisão de Vorcaro, seu celular foi apreendido. O relatório reconstitui apenas o que ele enviou a um número registrado em seu aparelho como “Alexandre de Moraes Brasília”. Por limitação técnica, só há informação do lado de quem enviou as mensagens, não de quem recebeu.
O sistema para não deixar rastro
Segundo a PF, Vorcaro e Moraes usavam um sistema de comunicação pensado para não deixar rastro. O recurso empregado era a visualização única do WhatsApp, na qual fotos, vídeos ou áudios enviados desaparecem assim que o destinatário os visualiza.
Em vez de escrever ou gravar áudio diretamente no aplicativo, Vorcaro preferia redigir a mensagem no bloco de notas do celular, capturar a imagem da tela e enviá-la nesse formato. Moraes lia o conteúdo e a mensagem desaparecia em seguida.
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Como a PF reconstituiu o conteúdo apagado
A PF conseguiu recuperar o material cruzando os horários de uso do aplicativo de Notas, as capturas de tela e os arquivos temporários em PDF gerados automaticamente a cada print, além dos registros de envio na rede social.
Para organizar os dados do iPhone 17 Pro apreendido, a corporação utilizou o software próprio Iped (Indexador e Processador de Evidências Digitais). Antes disso, foi necessário usar o software israelense Cellebrite para quebrar a senha do aparelho e obter acesso completo ao conteúdo.
Veja abaixo:

Foram encontrados arquivos em PDF com os mesmos textos capturados nos blocos de notas. Segundo a PF, esses arquivos não foram criados deliberadamente pelo usuário, mas salvos automaticamente pelo iPhone em uma área inacessível ao usuário comum.
Vorcaro foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, durante a deflagração da Operação Compliance Zero.
