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Estariam as mulheres com “tudo” nas eleições de 2026?

A participação feminina nas eleições de 2026 no Amazonas ganhou um novo capítulo com a confirmação da deputada estadual Alessandra Campêlo como vice na chapa de Omar Aziz (PSD), anunciada neste sábado (25). Com isso, mulheres passam a integrar quatro das cinco composições majoritárias conhecidas até o momento, seja como candidatas ao governo ou como vice-governadoras.

O dado chama atenção, mas também levanta uma questão que vai além da estatística eleitoral: as mulheres estão, de fato, conquistando espaço de poder ou continuam sendo utilizadas como peças estratégicas na formação das chapas?

A resposta, por enquanto, permanece em aberto.

Entre as cinco pré-candidaturas ao Governo do Amazonas, apenas uma mulher aparece na cabeça de chapa: a empresária e educadora Maria do Carmo Seffair (PL). Os demais candidatos homens optaram por mulheres como vices. David Almeida (Avante) terá Shádia Fraxe; Omar Aziz (PSD) escolheu Alessandra Campêlo; e Gilberto Vasconcelos (PSTU) confirmou Juliana Frota.

A única composição sem presença feminina anunciada é a de Roberto Cidade (União Brasil), que terá Serafim Corrêa (PSB) como vice. A chapa ainda não foi homologada.

Assim, quatro das cinco chapas contam com participação feminina, o equivalente a 80% das composições conhecidas até o momento. O percentual é expressivo, mas não elimina uma diferença fundamental entre participar da chapa e exercer o comando da disputa.

Maioria nas urnas, minoria no poder

Segundo dados atualizados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro em 2026, somando 83.877.126 eleitoras. Em 2022, esse percentual era de 52,65%.

Embora sejam maioria entre os eleitores, as mulheres ainda encontram dificuldades para transformar essa força numérica em representação política proporcional.

É justamente nesse contexto que a eleição de 2026 desperta interesse. A presença feminina nas chapas demonstra que os partidos reconhecem o peso político do eleitorado feminino, mas permanece a dúvida sobre o espaço efetivo que essas candidatas terão nas decisões e na condução dos projetos políticos.

O cargo de vice-governadora possui relevância institucional e pode representar influência política real. Ao mesmo tempo, historicamente também é utilizado como instrumento de composição partidária, equilíbrio regional e ampliação eleitoral.

Maria do Carmo ocupa posição singular

Nesse cenário, Maria do Carmo Seffair assume uma posição diferente das demais mulheres que aparecem na disputa.

Empresária, educadora e cofundadora da Fametro, ela é, até o momento, a única mulher que busca liderar uma chapa ao Governo do Amazonas. Em 2024, chegou a se apresentar como pré-candidata à Prefeitura de Manaus, mas acabou integrando a chapa de Capitão Alberto Neto (PL) como candidata a vice.

Agora, sua pré-candidatura a coloca diretamente na disputa pelo principal cargo do Executivo estadual, embora ainda dependa da oficialização prevista para 4 de agosto e da definição de quem ocupará a vice.

A escolha poderá alterar o desenho atual da representatividade feminina. Caso outra mulher seja indicada, a participação feminina nas composições poderá aumentar. Se o nome escolhido for masculino, o cenário permanecerá inalterado.

Mais do que a definição da vice, a candidatura de Maria do Carmo recoloca em debate a disposição dos partidos em lançar mulheres como protagonistas das disputas majoritárias, e não apenas como integrantes das chapas.

Perfis diferentes, desafios semelhantes

As escolhas de Shádia Fraxe, Alessandra Campêlo e Juliana Frota também mostram que não existe um único perfil de participação feminina na eleição.

Alessandra Campêlo reúne experiência parlamentar consolidada na Assembleia Legislativa. Shádia Fraxe possui trajetória na gestão pública e na área da saúde. Juliana Frota representa um projeto político vinculado ao PSTU, com posicionamento ideológico distinto das demais candidaturas.

Apesar das diferenças de trajetória e atuação, todas reforçam que a presença feminina nas chapas deixou de ser exceção no cenário eleitoral amazonense.

Ao mesmo tempo, a representatividade não pode ser medida apenas pelo número de mulheres presentes nas convenções ou nos materiais de campanha. A discussão também envolve autonomia política, participação nas decisões e capacidade de liderar projetos próprios.

Uma dívida histórica da política amazonense

O avanço observado nas chapas contrasta com o histórico de baixa representação feminina nos espaços de poder.

Na Câmara Municipal de Manaus, as mulheres ocupam uma parcela reduzida das cadeiras. Na Assembleia Legislativa do Amazonas, embora existam deputadas com atuação consolidada, a bancada feminina permanece minoritária. O mesmo ocorre na representação federal, ainda distante da proporção que as mulheres ocupam no eleitorado.

Essa diferença ajuda a explicar por que a eleição de 2026 merece atenção. Mais do que contabilizar candidaturas, será necessário observar quantas mulheres disputarão em condições competitivas, quantas terão autonomia política e quantas conseguirão transformar presença eleitoral em exercício efetivo do poder.

80% representam avanço, mas não encerram o debate

O índice de 80% de presença feminina nas chapas é significativo, mas deve ser interpretado com cautela.

Ele retrata apenas a composição das cinco pré-candidaturas atualmente conhecidas ao Governo do Amazonas. Não mede distribuição de recursos de campanha, tempo de propaganda, influência dentro dos partidos, competitividade eleitoral ou chances reais de vitória.

Por isso, o percentual representa um avanço na ocupação dos espaços eleitorais, mas não permite concluir que exista igualdade política entre homens e mulheres.

O debate central permanece o mesmo: ampliar a presença feminina nas chapas é um passo importante, mas compartilhar efetivamente o poder continua sendo um desafio.

Entre a visibilidade e o protagonismo

As eleições de 2026 oferecem aos partidos a oportunidade de demonstrar que a participação feminina vai além da composição eleitoral.

No Amazonas, o cenário permite duas leituras simultâneas. A primeira é positiva: as mulheres aparecem mais, ocupam posições estratégicas e uma delas disputa diretamente o Governo do Estado. A segunda é mais cautelosa: a maioria continua ocupando o posto de vice, enquanto os principais projetos políticos permanecem liderados por homens.

Por isso, a principal pergunta ainda não foi respondida.

As mulheres conquistaram mais espaço no tabuleiro político amazonense. Resta saber se, quando a campanha avançar e as urnas forem abertas, esse espaço também se traduzirá em protagonismo, capacidade de decisão e poder político efetivo.

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A participação feminina nas eleições de 2026 no Amazonas ganhou um novo capítulo com a confirmação da deputada estadual Alessandra Campêlo como vice na chapa de Omar Aziz (PSD), anunciada neste sábado (25). Com isso, mulheres passam a integrar quatro das cinco composições majoritárias conhecidas até o momento, seja como candidatas ao governo ou como vice-governadoras.

O dado chama atenção, mas também levanta uma questão que vai além da estatística eleitoral: as mulheres estão, de fato, conquistando espaço de poder ou continuam sendo utilizadas como peças estratégicas na formação das chapas?

A resposta, por enquanto, permanece em aberto.

Entre as cinco pré-candidaturas ao Governo do Amazonas, apenas uma mulher aparece na cabeça de chapa: a empresária e educadora Maria do Carmo Seffair (PL). Os demais candidatos homens optaram por mulheres como vices. David Almeida (Avante) terá Shádia Fraxe; Omar Aziz (PSD) escolheu Alessandra Campêlo; e Gilberto Vasconcelos (PSTU) confirmou Juliana Frota.

A única composição sem presença feminina anunciada é a de Roberto Cidade (União Brasil), que terá Serafim Corrêa (PSB) como vice. A chapa ainda não foi homologada.

Assim, quatro das cinco chapas contam com participação feminina, o equivalente a 80% das composições conhecidas até o momento. O percentual é expressivo, mas não elimina uma diferença fundamental entre participar da chapa e exercer o comando da disputa.

Maioria nas urnas, minoria no poder

Segundo dados atualizados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro em 2026, somando 83.877.126 eleitoras. Em 2022, esse percentual era de 52,65%.

Embora sejam maioria entre os eleitores, as mulheres ainda encontram dificuldades para transformar essa força numérica em representação política proporcional.

É justamente nesse contexto que a eleição de 2026 desperta interesse. A presença feminina nas chapas demonstra que os partidos reconhecem o peso político do eleitorado feminino, mas permanece a dúvida sobre o espaço efetivo que essas candidatas terão nas decisões e na condução dos projetos políticos.

O cargo de vice-governadora possui relevância institucional e pode representar influência política real. Ao mesmo tempo, historicamente também é utilizado como instrumento de composição partidária, equilíbrio regional e ampliação eleitoral.

Maria do Carmo ocupa posição singular

Nesse cenário, Maria do Carmo Seffair assume uma posição diferente das demais mulheres que aparecem na disputa.

Empresária, educadora e cofundadora da Fametro, ela é, até o momento, a única mulher que busca liderar uma chapa ao Governo do Amazonas. Em 2024, chegou a se apresentar como pré-candidata à Prefeitura de Manaus, mas acabou integrando a chapa de Capitão Alberto Neto (PL) como candidata a vice.

Agora, sua pré-candidatura a coloca diretamente na disputa pelo principal cargo do Executivo estadual, embora ainda dependa da oficialização prevista para 4 de agosto e da definição de quem ocupará a vice.

A escolha poderá alterar o desenho atual da representatividade feminina. Caso outra mulher seja indicada, a participação feminina nas composições poderá aumentar. Se o nome escolhido for masculino, o cenário permanecerá inalterado.

Mais do que a definição da vice, a candidatura de Maria do Carmo recoloca em debate a disposição dos partidos em lançar mulheres como protagonistas das disputas majoritárias, e não apenas como integrantes das chapas.

Perfis diferentes, desafios semelhantes

As escolhas de Shádia Fraxe, Alessandra Campêlo e Juliana Frota também mostram que não existe um único perfil de participação feminina na eleição.

Alessandra Campêlo reúne experiência parlamentar consolidada na Assembleia Legislativa. Shádia Fraxe possui trajetória na gestão pública e na área da saúde. Juliana Frota representa um projeto político vinculado ao PSTU, com posicionamento ideológico distinto das demais candidaturas.

Apesar das diferenças de trajetória e atuação, todas reforçam que a presença feminina nas chapas deixou de ser exceção no cenário eleitoral amazonense.

Ao mesmo tempo, a representatividade não pode ser medida apenas pelo número de mulheres presentes nas convenções ou nos materiais de campanha. A discussão também envolve autonomia política, participação nas decisões e capacidade de liderar projetos próprios.

Uma dívida histórica da política amazonense

O avanço observado nas chapas contrasta com o histórico de baixa representação feminina nos espaços de poder.

Na Câmara Municipal de Manaus, as mulheres ocupam uma parcela reduzida das cadeiras. Na Assembleia Legislativa do Amazonas, embora existam deputadas com atuação consolidada, a bancada feminina permanece minoritária. O mesmo ocorre na representação federal, ainda distante da proporção que as mulheres ocupam no eleitorado.

Essa diferença ajuda a explicar por que a eleição de 2026 merece atenção. Mais do que contabilizar candidaturas, será necessário observar quantas mulheres disputarão em condições competitivas, quantas terão autonomia política e quantas conseguirão transformar presença eleitoral em exercício efetivo do poder.

80% representam avanço, mas não encerram o debate

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Ele retrata apenas a composição das cinco pré-candidaturas atualmente conhecidas ao Governo do Amazonas. Não mede distribuição de recursos de campanha, tempo de propaganda, influência dentro dos partidos, competitividade eleitoral ou chances reais de vitória.

Por isso, o percentual representa um avanço na ocupação dos espaços eleitorais, mas não permite concluir que exista igualdade política entre homens e mulheres.

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