O delegado William Marcel Murad assumiu interinamente o comando da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (8/9), após o afastamento preventivo do diretor-geral Andrei Rodrigues. A medida contra Rodrigues foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Até então, Murad ocupava a Diretoria-Executiva, segundo posto na estrutura hierárquica da corporação.
Delegado federal desde 2002, Murad é formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e possui mais de duas décadas de experiência na instituição. Ele terminou em primeiro lugar no Curso de Formação Profissional para delegado da PF e construiu a carreira em áreas como combate ao crime organizado, repressão ao tráfico de drogas, inteligência e gestão operacional.
Entre 2002 e 2004, Murad atuou na Superintendência da PF em Pernambuco, onde exerceu a função de chefe substituto da Delegacia de Repressão a Entorpecentes. Posteriormente, no Rio Grande do Norte, foi delegado regional de Combate ao Crime Organizado, chefe do Núcleo de Inteligência Policial e chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes.
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Experiência em inteligência e grandes eventos
Murad também participou do planejamento da segurança de eventos internacionais realizados no Brasil. Entre as funções exercidas, esteve a de coordenador substituto do Centro Integrado de Comando e Controle Nacional durante a Copa do Mundo de 2014. Em 2016, foi diretor de Inteligência e coordenador nacional da operação de inteligência de segurança pública dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
Em 2017, assumiu a Coordenação-Geral de Inteligência da PF. No ano seguinte, tornou-se diretor de Tecnologia da Informação e Inovação, posto no qual permaneceu até 2021. Depois, atuou como adido policial federal no Reino Unido e na Irlanda do Norte entre novembro de 2021 e dezembro de 2024, trabalhando na área de cooperação policial internacional.
O delegado também passou pela FBI National Academy, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, em 2010. Sua formação inclui ainda cursos de inteligência policial na própria PF e de inteligência antidrogas no Peru. Em janeiro de 2025, após retornar ao Brasil, Murad assumiu a Diretoria-Executiva da corporação.
Horas depois do afastamento de Rodrigues, Murad declarou publicamente confiança no então diretor-geral. Durante a abertura do 63º Curso de Formação Profissional para agentes da PF, em Brasília, afirmou que a instituição atua de maneira autônoma, técnica, imparcial e apartidária e disse acreditar que “a verdade dos fatos” prevalecerá.
