O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, respondeu nesta segunda-feira (20/7) à intimação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino sobre a distribuição e a suposta interferência de dirigentes de legendas nas emendas parlamentares. Na resposta, ele afirmou não ter poder de decisão sobre a destinação dos recursos.
A versão apresentada ao STF diverge do que Valdemar afirmou na semana passada em entrevistas, quando declarou que os dirigentes partidários interferem na destinação de emendas. Ele chegou a afirmar à GloboNews que essa seria uma função inerente ao cargo.
Defesa fala em “sugestão política”, não em decisão
“O que pode existir é uma sugestão política formulada pelo presidente após a interlocução com diversos atores da sociedade, submetida aos filtros e decisões independentes do processo parlamentar regular. Se a sugestão for rejeitada, não há indicação”, escreveu a defesa do presidente do PL.
Valdemar é investigado por suspeita de indicação ilegal de dinheiro de emendas parlamentares. Ele é ex-deputado federal e, portanto, não tem mandato, o que em tese o impediria de decidir para onde esse tipo de recurso público seria direcionado.
“A expressão coloquial segundo a qual presidentes partidários podem ‘indicar’ prioridades significa apenas sugerir, recomendar ou defender politicamente determinada política pública”, completa a resposta de Valdemar.
Dino cobrou explicações de 21 partidos
Na semana passada, Dino cobrou explicações dos presidentes de 21 partidos políticos sobre a destinação das emendas parlamentares. O ministro chegou a bloquear valores de Valdemar Costa Neto e de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados. Dino é relator da investigação que apura suspeitas de desvios de emendas no STF.
O ministro enviou à Polícia Federal, nesta segunda-feira (20/7), as respostas que os presidentes do PL e do PSD, Gilberto Kassab, deram sobre a participação de dirigentes partidários na indicação de emendas parlamentares.
