O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (13/10) que votará a favor do fim da escala de trabalho 6×1 no Senado, após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração muda o posicionamento anterior do parlamentar, que havia criticado a proposta e a associado a interesses eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio justificou a decisão dizendo que a mudança atende à vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros. Defendeu também que o governo federal assuma os custos da redução da jornada, para que as empresas, já pressionadas financeiramente segundo ele, não sejam prejudicadas.
“Obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessária a contratação de mais pessoas, tem o risco de muita gente ir para a informalidade”, declarou. Flávio não apresentou detalhes sobre como funcionaria a compensação nem estimou o impacto financeiro da medida.
Antes de anunciar o voto favorável, o senador havia classificado a proposta como “oportunista” e afirmado que ela beneficiaria a candidatura de Lula à reeleição. Durante a campanha, evitou declarar de forma direta se votaria contra ou a favor da mudança.
O que prevê a proposta
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1 altera a jornada de trabalho. Hoje, a jornada pode chegar a 44 horas semanais, com um dia de descanso remunerado. Na escala 6×1, o trabalhador atua por seis dias consecutivos e folga um.
A proposta em discussão reduz a jornada semanal para 40 horas, com dois dias de descanso por semana. A alteração busca ampliar o tempo de repouso dos trabalhadores e modificar a organização das jornadas em diferentes setores da economia.
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Flávio defende jornada negociada
Mesmo ao anunciar apoio ao fim da escala 6×1, Flávio afirmou que gostaria que os trabalhadores tivessem mais liberdade para definir seus horários. O senador defende remuneração por hora trabalhada, com jornada negociada entre empregado e empregador.
“Como é que fica a pessoa que trabalha de home office? Como é que fica aquela mãe que não tem com quem deixar o seu filho, só pode trabalhar, por exemplo, quatro horas por dia, só pode trabalhar de manhã, ou só pode trabalhar de tarde? Vai continuar engessada a jornada dela?”, questionou.
Segundo suas declarações, o modelo defendido pelo candidato busca permitir diferentes formatos de trabalho conforme as necessidades de empregados e empresas. A proposta, no entanto, não elimina o debate sobre limites legais da jornada, remuneração, direitos trabalhistas e condições de negociação entre as partes.
Na semana passada, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais e apoiador de Flávio, afirmou em entrevista ao UOL Entrevista que havia conversado com o candidato e que ele estaria disposto a votar a favor do fim da escala 6×1.
Com a declaração, Flávio passa a apoiar explicitamente a proposta, mas ainda não detalhou como pretende conciliar a redução da jornada, a compensação financeira aos empresários e a defesa de maior flexibilidade na contratação e na organização do trabalho.
Vídeo: Reprodução/UOL
