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“Houve interferência de partidários de Wilson Lima na eleição da CMM”, diz Carlos Santiago

Cientista político e advogado, Santiago fez uma análise da eleição na CMM e da situação política no AM para a Onda Digital.

O advogado, sociólogo e presidente da Comissão de Reforma Política e Combate à Corrupção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Carlos Santiago esteve hoje, 9, no estúdio da Onda Digital. Ele conversou com os jornalistas Alex Braga e Ananda Chamma sobre a recente eleição na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e fez uma análise da situação política na casa e no estado, após as eleições deste ano.

Ele disse:

“A Câmara Municipal precisa assumir seu protagonismo histórico. No passado, era ela que pautava a política do estado, não a Assembleia. O mundo concreto existe aqui na cidade, os problemas de mobilidade, transporte, crescimento desordenado… Mas a atual legislatura ficou em silêncio. Ela não está cumprindo suas atribuições: propor leis para beneficiar a sociedade, fiscalizar a administração pública e propor políticas a curto e longo prazo para a cidade. Quais são as propostas para a Manaus de hoje e de amanhã?

Nesse sentido, foi importante a eleição de um vereador que aponta que será independente em relação à administração”.


Leia mais:

David Almeida: “Desejo sucesso a Caio André na presidência da CMM”

TCE aprova com ressalvas contas de 2021 do governo do Amazonas


Ele deu a sua opinião sobre a situação da cidade e como seria importante a participação da Câmara para o futuro da cidade e a melhoria da qualidade de vida da população:

“É preciso ter uma visão geral da cidade. Um debate sobre o centro histórico, pensar no aspecto ecológico, na mobilidade. Mas hoje, você tem lá na CMM legisladores mais preocupados com uma quadra de futebol, em pintar uma quadra, asfaltar uma rua, e esquecem da grandeza da cidade.

Novos atores políticos estão hoje lá na Câmara com um novo perfil, pessoas mais ligadas a igrejas,  a associações, a políticos que fazem clientelismo. Isso tudo enfraquece a importância da cidade. Em Manaus, em cada poste tem uma faixa, em cada calçada tem alguém obstruindo. Não temos um projeto de transporte coletivo a longo prazo, o que temos é caro e subsidiado pela Prefeitura. Nossos igarapés continuam poluídos. Não temos perspectiva futura”.

Ele também fez uma análise sobre o racha na base do prefeito David Almeida (Avante) dentro da casa, o que levou à instabilidade e à eleição do novo presidente Caio André (PSC):

“Acho que o fato mais determinante [para o racha] foi o desempenho dos vereadores que foram candidatos nas eleições de 2022. Dos 25 que disputaram, só 2 foram eleitos, e destes, só 1 da base da prefeitura. O vereador que fez oposição ao prefeito [Amom Mandel] bateu recorde de votação.

Esse fraco desempenho desses vereadores também se deve à relação com a administração municipal. Acho que isso pesou muito. Foi diferente do que aconteceu no estado: Wilson Lima colheu os seus e elegeu quase todos da sua base política.

[…]

Tem hoje um novo grupo hegemônico no estado, que passa pelo presidente da Câmara, o eleito e o atual. Passa pelo presidente da Assembleia, pelo governador e o prefeito de Manaus e vários prefeitos do interior. Esse grupo se consolidou nessas eleições, mas isso indica que teremos disputas por espaço. Pelo que se percebe aí, houve interferência de partidários do Wilson Lima na eleição da mesa diretora da Câmara. Isso é indicativo que há uma disputa de forças, e no momento Wilson Lima está na dianteira”.

E sobre a atuação do presidente da CMM, vereador David Reis (Avante), que foi cercada de polêmicas como a do “puxadinho” e do cafezinho superfaturado, Santiago disse:

“Pro prefeito, o David Reis foi muito bom. Mas o orçamento da Câmara é muito grande. Em 2023, será de mais de R$ 220 milhões. E para não sobrar dinheiro em caixa, começam a trabalhar esses penduricalhos, a inventarem obras desnecessárias. É preciso rever esse repasse para a CMM, ela recebe muito dinheiro”.

A entrevista completa com o cientista político Carlos Santiago pode ser assistida aqui.

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O advogado, sociólogo e presidente da Comissão de Reforma Política e Combate à Corrupção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Carlos Santiago esteve hoje, 9, no estúdio da Onda Digital. Ele conversou com os jornalistas Alex Braga e Ananda Chamma sobre a recente eleição na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e fez uma análise da situação política na casa e no estado, após as eleições deste ano.

Ele disse:

“A Câmara Municipal precisa assumir seu protagonismo histórico. No passado, era ela que pautava a política do estado, não a Assembleia. O mundo concreto existe aqui na cidade, os problemas de mobilidade, transporte, crescimento desordenado… Mas a atual legislatura ficou em silêncio. Ela não está cumprindo suas atribuições: propor leis para beneficiar a sociedade, fiscalizar a administração pública e propor políticas a curto e longo prazo para a cidade. Quais são as propostas para a Manaus de hoje e de amanhã?

Nesse sentido, foi importante a eleição de um vereador que aponta que será independente em relação à administração”.


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Ele deu a sua opinião sobre a situação da cidade e como seria importante a participação da Câmara para o futuro da cidade e a melhoria da qualidade de vida da população:

“É preciso ter uma visão geral da cidade. Um debate sobre o centro histórico, pensar no aspecto ecológico, na mobilidade. Mas hoje, você tem lá na CMM legisladores mais preocupados com uma quadra de futebol, em pintar uma quadra, asfaltar uma rua, e esquecem da grandeza da cidade.

Novos atores políticos estão hoje lá na Câmara com um novo perfil, pessoas mais ligadas a igrejas,  a associações, a políticos que fazem clientelismo. Isso tudo enfraquece a importância da cidade. Em Manaus, em cada poste tem uma faixa, em cada calçada tem alguém obstruindo. Não temos um projeto de transporte coletivo a longo prazo, o que temos é caro e subsidiado pela Prefeitura. Nossos igarapés continuam poluídos. Não temos perspectiva futura”.

Ele também fez uma análise sobre o racha na base do prefeito David Almeida (Avante) dentro da casa, o que levou à instabilidade e à eleição do novo presidente Caio André (PSC):

“Acho que o fato mais determinante [para o racha] foi o desempenho dos vereadores que foram candidatos nas eleições de 2022. Dos 25 que disputaram, só 2 foram eleitos, e destes, só 1 da base da prefeitura. O vereador que fez oposição ao prefeito [Amom Mandel] bateu recorde de votação.

Esse fraco desempenho desses vereadores também se deve à relação com a administração municipal. Acho que isso pesou muito. Foi diferente do que aconteceu no estado: Wilson Lima colheu os seus e elegeu quase todos da sua base política.

[…]

Tem hoje um novo grupo hegemônico no estado, que passa pelo presidente da Câmara, o eleito e o atual. Passa pelo presidente da Assembleia, pelo governador e o prefeito de Manaus e vários prefeitos do interior. Esse grupo se consolidou nessas eleições, mas isso indica que teremos disputas por espaço. Pelo que se percebe aí, houve interferência de partidários do Wilson Lima na eleição da mesa diretora da Câmara. Isso é indicativo que há uma disputa de forças, e no momento Wilson Lima está na dianteira”.

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A entrevista completa com o cientista político Carlos Santiago pode ser assistida aqui.

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Ivanildo Pereira
Ivanildo Pereira
Repórter de política na Rede Onda Digital, jornalista formado pela Faculdade Martha Falcão Wyden. Política, economia e artes são seus maiores interesses.

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